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O candidato da vassalagem e do entreguismo

Flávio Bolsonaro não consegue ocultar de ninguém que, em estreita consonância com a nova Doutrina Monroe, quer entregar o Brasil a Trump. É muito profissional, nesse aspecto.

No “patético” programa de governo de Flávio Bolsonaro, um mero aglomerado de clichês da extrema-direita, há uma parte que se destaca pela hipocrisia e pela total inversão da verdade histórica e dos valores constitucionais que regem a política externa do Brasil.

Com o falacioso título “soberania com profissionalismo, não com ideologia”, o candidato que prometeu a Marco Rubio a participação dos EUA na sua equipe de transição, uma clara ilegalidade e uma evidente traição à soberania nacional, afirma que “nos últimos anos, a política externa brasileira trocou o interesse nacional pela ideologia, protegendo regimes propensos ao terror e seus criminosos. “Nossa proposta é o oposto: uma diplomacia guiada pelo profissionalismo e pelo pragmatismo, não pela ideologia”.

Ora, o candidato está muito confuso, para dizer o mínimo. Está confundindo o governo Bolsonaro, um governo que primou pela vassalagem desavergonhada em relação aos EUA, a qual ele pretende emular e aprofundar, com o governo Lula, que efetivamente defende o Brasil contra agressões estrangeiras estimuladas pelo próprio Flávio Bolsonaro e seus aliados.

Com efeito, em política externa, o governo Bolsonaro maculou a imagem do Brasil no exterior e comprometeu o protagonismo internacional do país e sua soberania. Praticou-se uma política de intencional isolamento, com base na opção ideológica pelo “antiglobalismo”, calcada numa luta irracional contra a suposta ameaça do “marxismo cultural”, que estaria corroendo os autênticos fundamentos e valores da civilização ocidental. O próprio chanceler da época, Ernesto Araújo, chegou a reivindicar, como positiva, a condição de pária para o Brasil.

Nos grandes encontros internacionais, Bolsonaro era evitado como alguém que portava moléstia muito grave e contagiosa. Um autêntico representante da barbárie. Esse “isolamento reacionário” via no meio externo “globalista” a fonte de conspirações que justificavam posturas negacionistas e rupturas com a tradição diplomática brasileira, no pós-redemocratização.

Bolsonaro, como é amplamente sabido, alinhou sua política externa numa aliança subalterna com os EUA de Trump e de Steve Bannon. Fazia patéticas declarações de amor a Trump e batia continência para a bandeira dos EUA. Por causa disso, chegou mesmo a comprometer as nossas relações com a China, nosso principal parceiro comercial.

Bolsonaro, de fato, era muito profissional. Um profissional da vassalagem, da submissão e do entreguismo, como o candidato Flávio é.
Lula rompeu com essa vassalagem neocolonial. Lula rompeu com o isolamento internacional do Brasil e passou a assentar a política externa nos interesses nacionais.

Em contraste, Flávio Bolsonaro não consegue ocultar de ninguém que, em estreita consonância com a nova Doutrina Monroe, quer entregar o Brasil a Trump. É muito profissional, nesse aspecto.

Sua hipocrisia é risível. Mas sua candidatura implica uma grande tragédia potencial para o nosso país.

Mais risíveis ainda são suas críticas à política externa de Lula.

Por exemplo, o candidato da vassalagem e do entreguismo critica o governo Lula porque “recebeu com honras o ditador venezuelano Nicolás Maduro, fraudador do processo eleitoral e preso por narcotráfico e narcoterrorismo”.

Maduro foi recebido na posse de Lula como muitos outros chefes de Estado. O que o candidato da vassalagem e do entreguismo oculta do público é que o governo de Lula participou ativamente, como um dos países garantidores dos Acordos de Barbados, da tentativa de promover eleições limpas na Venezuela, com o intuito de normalizar a inserção desse vizinho no cenário regional e mundial.

E o governo Lula, frise-se, não reconheceu os resultados das últimas eleições venezuelanas. Entretanto, mesmo quando criticado por Maduro, o Brasil manteve as relações diplomáticas com esse vizinho, pois a diplomacia brasileira, a diplomacia que é verdadeiramente profissional, sabia que o isolamento daquele país só pioraria sua crise interna e levaria mais sofrimento ao seu povo.

Em sua crítica, o candidato da vassalagem e do entreguismo elogia um crime internacional (a invasão de um país e o sequestro do seu chefe de Estado) e repete uma mentira deslavada, qual seja, a de que Maduro seria um grande narcotraficante.
Uma coisa é não gostar de um governante. Outra coisa é aplaudir uma clara violação do direito internacional. Observe-se que o próprio secretário-geral da ONU, António Guterres, qualificou a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro como um “precedente perigoso” e uma violação do direito internacional. E ainda outra coisa é comprometer as relações entre países em razão de idiossincrasias ideológicas, como a “diplomacia” bolsonarista sempre praticou.

É possível que o candidato da vassalagem e do entreguismo gostasse que “esse precedente perigoso” fosse reproduzido no Brasil, após a sua muito provável derrota, nas próximas eleições.

Outra crítica que revela o grau de submissão e de ignorância do candidato que representa os interesses de Trump nas eleições brasileiras é sua condenação ao fato de que o Brasil, em 2023, “autorizou a atracação de navios de guerra iranianos em portos brasileiros”.

O candidato da vassalagem e do entreguismo está apenas reproduzindo as críticas que os governos dos EUA e de Israel fizeram ao Brasil por ter deixado atracarem no porto do Rio de Janeiro duas embarcações militares iranianas para reabastecerem e descansarem a suas tripulações.

O candidato ignora que a atracagem de navios militares em outros países é algo inteiramente normal, previsto no Direito Marítimo Internacional. Para tanto, basta que os países autorizem. No caso em tela, houve autorização expressa da Marinha do Brasil. Diga-se de passagem, segundo dados da Marinha brasileira, somente em 2025 nosso país recebeu o total de 31 navios de guerra, oriundos de 11 países diferentes.

O Brasil permitiu a atracagem por uma razão muito simples: nosso país é soberano e mantinha e mantém relações diplomáticas normais com o Irã. O candidato da vassalagem e do entreguismo ignora que a diplomacia profissional do Brasil só respeita sanções quando elas são impostas pelo Conselho de Segurança da ONU.
A diplomacia profissional e soberana do Brasil, praticada no governo Lula, não recebe ordens de terceiros países.

Tanto é assim, que o porta-aviões nuclear americano USS Nimitz (CVN-68) esteve no Rio de Janeiro em maio de 2026. A embarcação atracou na Baía de Guanabara no dia 7 de maio e permaneceu na costa carioca até meados do mês, como parte da Operação Southern Seas 2026.

O Brasil da diplomacia profissional de Lula é assim. Respeita e procura manter relações normais e pacíficas com todos os países do mundo. Não discrimina ninguém. Mas não aceita ser discriminado. Respeita todo o mundo, mas não permite passivamente ser desrespeitado, como deseja o candidato da vassalagem e do entreguismo.

Ao contrário do que ele afirma mentirosamente no seu texto, o Brasil soberano de Lula nunca tratou “como adversários os nossos parceiros mais importantes e tradicionais”, como EUA e Argentina, por exemplo.

Ao contrário, são os governos atuais de extrema-direita desses países que estão nos agredindo, com o aplauso e o estímulo do candidato da vassalagem e do entreguismo.

O governo Trump, com o estímulo do candidato do Brasil neocolonial, já deixou claro que vai procurar interferir nas eleições em nosso país e continuará a impor sanções comerciais injustas e sem base técnica contra os empregos de brasileiras e brasileiros.

O candidato da vassalagem e do entreguismo ignora uma verdade que o mundo inteiro já percebeu: Trump não tem aliados ou amigos. Considera que as relações internacionais são um jogo de soma zero: para que os EUA ganhem, os outros têm de perder.

Trump escolheu Flávio Bolsonaro como seu candidato porque ele, Flávio, está disposto a fazer o Brasil perder. Está disposto a fazer o trabalho sujo de emporcalhar o Brasil na submissão mais abjeta.

O candidato de Trump afirma, ainda, no seu, por assim dizer, texto, que “defender a soberania de verdade não é fazer discurso: é abrir mercados para quem produz aqui, atrair investimento e garantir que o Brasil seja respeitado por sua força econômica e por sua seriedade, não por bravata.”

Sem o perceber, o candidato da vassalagem e do entreguismo faz um grande elogio ao governo Lula e à diplomacia profissional do Brasil.

Porque é exatamente isso o que o governo Lula vem fazendo. Sem nenhuma bravata, sem nenhuma provocação, o governo Lula está defendendo, com altivez, os interesses do Brasil, desrespeitados e atacados por Trump e outros.

A política externa profissional e soberana de Lula investe, pacificamente, no diálogo e na solução pacífica dos conflitos, como preceitua nossa Constituição. Porém, não aceita ser quintal de ninguém, como almeja o candidato da vassalagem do entreguismo.

A política externa profissional e soberana de Lula sabe o tamanho que o Brasil tem. Sabe ser digna.

Aliás, essa política externa profissional e soberana de Lula está dando certo.
Entre janeiro e julho de 2025, o Brasil exportou US$ 197.849.157.194. Já no mesmo período deste ano (2026) o Brasil exportou, apesar das sanções agressivas de Trump, US$ 218.551.862.181, cerca de 10,5% a mais.

Além disso, atingimos um superávit de cerca de US$ 49 bilhões.

Estamos, com muito profissionalismo, sem bravatas inúteis, diversificando nossas parcerias estratégicas, abrindo novos mercados e atraindo investimentos. O Brasil de Lula está ganhando.

Já Flávio Bolsonaro aliou-se a um perdedor obsoleto e anacrônico, que está se isolando interna e externamente. Quem está ganhando com a “hegemonia predatória” praticada por Trump é a China e outros países do Sul Global.

E quem se alia a perdedor, perde.

Trump não tem futuro. Flávio Bolsonaro também não. Talvez tenha de se consolar com os brilhantes pensamentos de Conan, o falecido cão de Milei. Seu texto poderia melhorar.

Só tem futuro quem aposta na soberania do Brasil, como Lula.

FOTO: Andressa Anholete/Agência Senado

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/o-candidato-da-vassalagem-e-do-entreguismo/