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Lula diz que bets viraram “máquina de matar o povo pobre” e defende proibição

Presidente afirma que apostas provocaram endividamento e ludopatia e rejeita argumento de que fim das plataformas prejudicará o futebol.

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender nesta segunda-feira (28) o fim das bets no Brasil e afirmou que as plataformas de apostas se transformaram em uma “máquina de matar o povo pobre”. Durante cerimônia de sanção de uma lei destinada a fortalecer e profissionalizar o futebol feminino, Lula relacionou as apostas ao endividamento das famílias e aos casos de ludopatia.

A manifestação ocorre três dias depois de o presidente assinar uma medida provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país, abrangendo apostas esportivas e jogos on-line. Segundo o governo federal, a medida também alcança autorizações concedidas por estados e pelo Distrito Federal, mas não afeta outras modalidades lotéricas previstas em lei.

No discurso, Lula rebateu o argumento de que a retirada das empresas do mercado brasileiro provocará prejuízos incontornáveis aos clubes. O presidente recorreu às principais conquistas internacionais da seleção brasileira e de equipes nacionais para sustentar que o sucesso do futebol antecede a chegada das casas de apostas.

“Os melhores momentos da história do futebol brasileiro não existiam bets. O Brasil foi campeão do mundo em 58, em 62, em 1970, em 1994, em 2002, não existiam bets”, afirmou Lula.

O presidente também citou títulos conquistados por clubes brasileiros e afirmou que as receitas provenientes das plataformas representariam uma parcela minoritária do faturamento do futebol.

“É importante lembrar, a bets, teoricamente, ela representa, talvez em média, menos que 7% da arrecadação do estilo de futebol. Então nós acabamos porque a Betis estava sendo uma praga na vida das pessoas”, declarou.

Ao justificar a medida, Lula colocou no centro de sua argumentação os efeitos sociais das apostas. Segundo ele, o problema deixou de ser apenas financeiro e passou a envolver casos graves de dependência e consequências para famílias de apostadores.

“A bets estava levando o povo brasileiro a se endividar, como jamais foi visto na história desse país, através de uma doença chamada ludopatia”, disse.

O presidente relatou ter conhecido famílias atingidas diretamente pela dependência em jogos e mencionou episódios de tentativa de suicídio, venda de bens familiares e furtos relacionados à busca por dinheiro para apostar.

“Então conheci pessoas, que tiveram filho que se matou, conheci pessoas que tentaram se matar, conheci pessoas que venderam coisas do pai, da mãe, gente que roubava as coisas e que não tinha dinheiro dedicado para poder jogar, sabe? Então é uma máquina de matar o povo pobre”, afirmou.

Lula também relacionou a proibição das bets à proteção da renda das famílias de menor poder aquisitivo.

“E eu, sinceramente, acabei para dizer o seguinte, ninguém vai tirar mais o dinheiro do leite, do pão, do feijão, da carne, da comida das crianças para apostar de bets”, declarou.

Pela medida provisória assinada na sexta-feira (25), empresas que atuavam legalmente no mercado deixam de poder oferecer apostas e anunciar seus serviços no país. O texto prevê ainda procedimentos para encerramento das plataformas e restituição de recursos que permaneçam nas contas dos clientes.

A decisão foi tomada após semanas de debate público envolvendo governo, empresas do setor e clubes de futebol. Antes da proibição, entidades esportivas haviam manifestado preocupação com a perda de receitas de patrocínio, enquanto Lula vinha defendendo publicamente restrições mais severas às apostas e argumentando que o futebol brasileiro não dependia financeiramente das plataformas.

Futebol feminino vira prioridade da política esportiva

As declarações sobre as bets ocorreram durante uma cerimônia voltada ao fortalecimento do futebol feminino. O projeto aprovado pelo Congresso estabelece o desenvolvimento da modalidade como prioridade da política pública esportiva nacional, com foco na profissionalização e na ampliação da igualdade de oportunidades.

O texto prevê proteção à gravidez e à maternidade, combate à discriminação, à intolerância e à violência contra mulheres e igualdade de direitos e benefícios entre organizações formadoras de atletas dos times femininos e masculinos. Também incentiva a presença de mulheres em funções de gestão, direção, arbitragem e outras áreas do futebol.

A legislação determina ainda que o Ministério do Esporte atue em conjunto com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), federações, clubes e demais entidades para formular mecanismos de enfrentamento à discriminação e à violência contra mulheres no ambiente esportivo.

Outro ponto é a elaboração de um plano de legado social, esportivo e financeiro para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. O Congresso aprovou o projeto no início de setembro e o encaminhou à Presidência da República.

Durante a cerimônia, Lula afirmou que a nova legislação representa uma ampliação do espaço ocupado pelas mulheres no esporte e relacionou a iniciativa à busca por igualdade em outras áreas.

“O que está acontecendo hoje aqui é uma demonstração de mais um espaço que as mulheres conquistam no Brasil. Nós queremos que as mulheres conquistem espaço em todo o mercado de trabalho, em toda a atividade política, em toda a atividade profissional, em toda a atividade esportiva. Não há porquê a mulher ser tratada de forma inferior”, afirmou.

Corintiano, o presidente também brincou com o momento da equipe masculina ao elogiar o desempenho do time feminino.

“Aliás, de vez em quando eu vejo o meu time do Corinthians Feminino jogar, eu acho que ele é melhor do que o time masculino”, disse.

Lula dirigiu ainda uma homenagem à ex-jogadora Formiga, uma das principais referências históricas da seleção brasileira feminina.

“Formiga, parabéns, você é a cara mais pública, mais forte do nosso futebol. Você realmente representa o que as mulheres precisavam ter de representação. Uma mulher negra, uma mulher pobre que tirou do futebol o sustento seu e da sua família e conquistou a sua cidadania plena, viajando o mundo e jogando pelo Brasil”, afirmou.

Ao encerrar a parte do discurso dedicada à modalidade, Lula defendeu maior igualdade entre homens e mulheres na prática esportiva.

“Que Deus permita que as mulheres alcancem, no menor espaço de tempo, um alto grau de desenvolvimento para que mulher nenhuma fique devendo a homem nenhum na prática de qualquer esporte.”

FOTO: Ricardo Stuckert

FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/lula-diz-que-bets-viraram-maquina-de-matar-o-povo-pobre-e-defende-proibicao/