Segundo relato de Antônio Carlos Freixo Júnior, recursos destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro partiram de Daniel Vorcaro e chegaram a fundo no Texas administrado por advogado ligado a Eduardo; PF investiga as operações.
247 – Dezenas de milhões de dólares que teriam sido solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, foram enviados a uma estrutura financeira nos Estados Unidos administrada por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro. As informações constam da delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, operador financeiro de Vorcaro, segundo o blog de Fausto Macedo.
De acordo com o relato do delator, Flávio Bolsonaro teria solicitado US$ 24 milhões a Vorcaro para o financiamento da produção. Conversas e documentos entregues às autoridades indicariam que pelo menos US$ 10,6 milhões foram efetivamente pagos por meio do fundo Havengate, sediado no Texas.
Freixo Júnior afirmou que os recursos transferidos ao fundo americano tiveram origem em Vorcaro e que sua participação teria consistido em executar as operações determinadas pelo banqueiro. O delator declarou não saber qual foi a utilização final do dinheiro depois que os valores chegaram aos Estados Unidos.
Dinheiro teria passado pelas Bahamas antes de chegar ao Texas
Os documentos apresentados pelo delator descrevem um caminho financeiro complexo. Segundo as informações fornecidas às autoridades, os recursos teriam saído da Entrepay, passado pelas Bahamas e posteriormente chegado ao Texas.
Freixo Júnior teria apresentado registros de transferências internacionais e operações de câmbio relacionadas aos pagamentos. A movimentação chamou a atenção das autoridades e está sob investigação diante da suspeita de possíveis irregularidades, incluindo eventual evasão de divisas.
O fluxo atípico de recursos do Brasil para os Estados Unidos também teria entrado no radar do Banco Central. A Polícia Federal abriu inquérito para investigar os pagamentos, seu enquadramento legal e o destino efetivo do dinheiro.
Uma das linhas de apuração é saber se parte desses valores pode ter sido utilizada para custear despesas relacionadas à permanência e às atividades de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Delator diz que apenas cumpriu ordens de Vorcaro
Freixo Júnior, apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro, firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República. O acordo ainda aguarda homologação pelo Supremo Tribunal Federal.
Em seu relato, ele procura delimitar sua participação nas operações. Afirma que executou determinações de Vorcaro e apresentou documentação sobre as transferências, mas sustenta que desconhecia a destinação final dos recursos depois de sua chegada aos Estados Unidos.
As declarações do colaborador ainda precisam ser confrontadas com provas independentes. Pela legislação brasileira, uma delação premiada, isoladamente, não basta para comprovar uma acusação, e os fatos narrados pelo colaborador dependem de investigação e corroboração documental.
Prestação de contas do filme permanece sob questionamento
O caso também envolve a produtora responsável por Dark Horse. Segundo Andreazza, a perícia realizada sobre a produtora não confirmou a prestação de contas que havia sido prometida por Flávio Bolsonaro em relação ao financiamento do filme.
Esse ponto ganha importância diante dos valores mencionados nas conversas entregues às autoridades. A investigação deverá estabelecer quanto efetivamente foi transferido, quem foram os beneficiários dos pagamentos, como os recursos foram contabilizados e qual relação existia entre as transferências e a produção cinematográfica.
Também caberá aos investigadores esclarecer por que os valores teriam percorrido estruturas financeiras em diferentes jurisdições antes de chegar ao fundo no Texas e se todas as operações cambiais e remessas internacionais obedeceram à legislação brasileira.
As revelações acrescentam uma nova frente às investigações relacionadas a Daniel Vorcaro e ao Banco Master. Agora, além da origem dos recursos, as autoridades procuram reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro e determinar quem foram seus beneficiários finais nos Estados Unidos.
FOTO: Divulgação I Reprodução
FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/milhoes-cobrados-por-flavio-bolsonaro-a-vorcaro-foram-enviados-a-aliados-de-eduardo-bolsonaro-aponta-delator/