Presidente diz que Brasil e Estados Unidos precisam dialogar diante de desafios à democracia e ao multilateralismo.
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende se reunir com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, no início de março, durante uma viagem a Washington. Segundo ele, o encontro presencial é fundamental para que os dois países mantenham um diálogo direto em meio a um cenário internacional marcado por instabilidade política e tensões diplomáticas.
“Eu conversei com o Trump ontem, eu conversei com o Macron hoje, eu conversei com o Boric hoje e depois vou conversar com mais gente porque eu estou discutindo a questão do multilateralismo, a questão da democracia no mundo inteiro e eu espero marcar com o presidente Trump, no começo de março eu vou fazer uma viagem a Washington porque os Estados Unidos e o Brasil são as duas principais democracias do Ocidente e eu acho que dois chefes de Estado precisam conversar olhando um no olho do outro, sabe, para que a gente possa discutir as boas relações entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou Lula, de acordo com o G1.
O presidente também disse acreditar em uma retomada do equilíbrio internacional. “Eu estou convencido que a gente vai voltar à normalidade logo logo, que a gente vai fortalecer o multilateralismo e que a gente vai fazer com que as economias voltem a crescer, porque é isso que o povo espera de todos nós”, afirmou.
Viagens e reforma da ONU
Antes da possível ida aos Estados Unidos, Lula tem viagens previstas para a Índia e a Coreia do Sul, em fevereiro. Somente após essas agendas é que os governos do Brasil e dos EUA devem definir oficialmente a data da visita a Washington.
A expectativa do governo brasileiro é que Lula aproveite o contexto internacional para reiterar a defesa de uma reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), com ampliação do número de membros permanentes, pauta defendida pelo presidente desde seu primeiro mandato.
Venezuela e soberania nacional
Questionado no Panamá sobre a presença de militares estadunidenses no Caribe, Lula afirmou que pretende conversar com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e disse esperar que “ela consiga dar conta do recado”.
O presidente brasileiro defendeu que a solução para a crise venezuelana deve partir do próprio país. “Vamos ver o que vai acontecer. Está tudo muito recente e eu acho que nós temos que ter um pouco de paciência porque quem vai encontrar uma solução para o povo da Venezuela é o próprio povo venezuelano. Não será o Brasil, não será os Estados Unidos, será a Venezuela. E nós temos que ter paciência e ajudar com que o povo venezuelano possa cuidar do seu destino”, afirmou.
Diálogo entre Brasil e Estados Unidos
De acordo com o Palácio do Planalto, na segunda-feira (26), Lula e Donald Trump conversaram por telefone durante 50 minutos. Foi o primeiro contato entre os dois desde os acontecimentos recentes na Venezuela, após a ação militar dos Estados Unidos que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro do poder.
Conselho da Paz e ONU
Outro tema tratado na conversa com Donald Trump foi o convite para que o Brasil integre o Conselho da Paz, criado pelo presidente dos Estados Unidos. Lula não confirmou se aceitará a proposta e afirmou que o órgão deveria ter foco humanitário, especialmente na situação da Faixa de Gaza, além de prever a participação da Palestina nos debates. Segundo a avaliação da diplomacia brasileira, há preocupação com iniciativas estruturadas de forma unilateral e com presidência fixa dos Estados Unidos.
Economia e cooperação bilateral
Lula e Trump também trocaram informações sobre a situação econômica de Brasil e Estados Unidos. De acordo com o Planalto, ambos avaliaram que há boas perspectivas para as economias dos dois países. Trump afirmou que o crescimento de Brasil e Estados Unidos é positivo para toda a região das Américas.
Os dois presidentes destacaram ainda o avanço no relacionamento bilateral, que resultou na retirada de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros. Lula manifestou interesse em ampliar a cooperação nas áreas de combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, além do congelamento de ativos de grupos criminosos e do intercâmbio de dados financeiros. Segundo o governo brasileiro, a iniciativa foi bem recebida pelo presidente dos Estados Unidos.
FOTO: Brasília (DF) – 10/12/2025 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/no-panama-lula-defende-soberania-da-venezuela-e-diz-que-tera-conversa-olho-no-olho-com-trump-em-marco