Associação Brasileira dos Jornalistas

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O BRASIL PRECISA MUDAR

Isso aqui é a prova cabal de que o Brasil precisa, urgentemente, romper com a lógica de país agroexportador, do rentismo financeiro e de uma economia predominantemente dominada pelo setor terciário de baixo valor agregado. O que esses dados mostram é que, mesmo aumentando a escolaridade média da população – com a expansão das vagas no ensino superior e o incentivo fiscal a “uniesquinas” –, o retorno econômico do diploma despencou. Por quê? Porque não há complexidade produtiva. Não há indústria de alta tecnologia que absorva esses profissionais com salários dignos. O resultado é uma legião de bacharéis ociosos, subempregados ou dirigindo Uber 14 horas por dia para tirar R$ 5 mil – quando o emprego formal na área de formação paga menos.

A razão estrutural para esse atraso é clara: nossas elites, dominadas pela Grande Finança e pelo parasitismo rentista, não têm qualquer interesse em desenvolver a produtividade interna. Pelo contrário, elas lucram com a desindustrialização e com as maiores taxas de juros reais do mundo. O rentismo financeiro suga os recursos que poderiam ser investidos em infraestrutura, inovação e indústria. Enquanto isso, o Brasil possui enormes reservas de minérios críticos – as chamadas terras raras – fundamentais para semicondutores, smartphones, turbinas eólicas e veículos elétricos. Mas o que fazemos? Extraímos o minério bruto e o enviamos para a China ou para os EUA. Recentemente, os americanos compraram uma mineradora em Goiás que antes abastecia os chineses. Ou seja, trocamos de comprador, mas continuamos na mesma posição de colônia ecológica: exportador de matéria-prima, importador de manufatura de alta complexidade.

Não há um projeto nacional de desenvolvimento que use essa abundância para produzir internamente bens de alto valor. Nossas elites são entreguistas, pouco afeitas ao interesse nacional. Preferem o lucro fácil da renda financeira e da commoditie a qualquer esforço de industrialização. O baixíssimo investimento em infraestrutura é a outra face dessa mesma moeda. Sem ferrovias, portos eficientes, energia barata e estável, telecomunicações de ponta e logística integrada, nenhuma indústria complexa se instala. O custo Brasil não é um fenômeno natural – é uma escolha política: a escolha de não investir, de não planejar, de não articular cadeias produtivas. Enquanto isso, nossa malha ferroviária é um esboço, nossas rodovias são precárias, nossos portos engarrafam e nossa energia é cara. Como querer produzir semicondutores ou bens de alta tecnologia sem infraestrutura digna?

O modelo petista de expansão do ensino superior – do qual eles tanto se vangloriam – sem uma contrapartida de desenvolvimento produtivo foi um tiro no pé. Criou-se uma massa de diplomados desempregados ou subempregados, que agora vêem seu rendimento real despencar ano após ano. Os dados da PNADC são implacáveis: mesmo para quem estudou mais, o salário em salários mínimos caiu mais de 50% em 12 anos. Isso desmoraliza o diploma, desestimula o estudo e empurra os jovens para o empreendedorismo de necessidade (Uber, iFood, bicos) ou para o subemprego.

Portanto, é preciso romper com esse modelo. Mas não espere isso dos dois projetos hegemônicos que dominam o cenário político brasileiro. Ambos não têm projeto nacional de desenvolvimento. Ambos são subservientes às potências estrangeiras, aliados dos bancos, da Faria Lima e do grande capital. Um prometeu “nova matriz econômica” e entregou desindustrialização e juros nas alturas. O outro é abertamente entreguista e defende o agroexportador como único caminho. Ambos manterão o Brasil atrasado, cada vez mais pobre, reduzindo a já palímpia classe média brasileira, tornando-a cada vez mais desqualificada para as necessidades da atual economia de alta renda. Enquanto não houver um projeto soberano de industrialização baseado em ciência, tecnologia e infraestrutura – com quebra do rentismo, reforma do sistema financeiro e planejamento estatal de longo prazo – os números dessa tabela continuarão caindo. E o Brasil continuará sendo o país do futuro que nunca chega.

FONTE: https://www.facebook.com/photo?fbid=35120956260885847&set=a.543653152376266