E o Brasil assinou o contrato sem ninguém notar.
Enquanto a Europa proibia o gás russo, Moscou travou 22 reatores em 7 países por 100 anos. E o Brasil assinou o contrato sem ninguém notar.
A Rosatom é a estatal nuclear da Rússia. É a única empresa do mundo que opera o ciclo nuclear inteiro: enriquecimento, combustível, construção do reator, operação e resíduo. Quem compra um reator russo, compra os cinco estágios. Por décadas.
O modelo se chama BOO: Build, Own, Operate. A Rosatom constrói com dinheiro russo, é dona da usina, opera por 60 anos e descomissiona depois. O país anfitrião assina contrato de compra de eletricidade a preço fixo em dólar por 15 anos. Moscou vira a concessionária elétrica dentro do território soberano do país.
Matemática: 10 anos de obra + 60 de operação + 30 de descomissionamento. Cem anos de dependência técnica inquebrável. Sancão atinge acordo comercial. Não atinge um contrato de 100 anos com kill switch físico integrado.
Akkuyu, na Turquia, é o caso piloto. País da OTAN. Quatro reatores VVER-1200. US$25 bilhões. A Rosatom é 100% dona da subsidiária registrada em Ancara, com conselho sem um único turco. Nenhuma sanção de 2022 alcança a operação.
A Rosatom controla 65% do mercado global de reatores, 44% do enriquecimento mundial, e 90% das exportações de tecnologia nuclear. Os EUA ainda importam 24% do combustível nuclear deles da própria Rosatom.
O Brasil já está dentro. A INB tem contrato com a Rosatom para fornecer urânio enriquecido à Angra até 2027. Em 2025, o governo anunciou parceria para SMRs. A Rosatom venceu a licitação do urânio brasileiro.
Quando a soberania de um ativo estratégico depende de jurisdição hostil, o ativo virou concessão. Vale para terras raras na China, chips em Taiwan, SWIFT nos EUA. Patrimônio sério diversifica jurisdição antes da dependência ficar visível.
FOTO: Mikhail Sinitsyn/TASS
FONTE: https://www.instagram.com/p/DXZs-d4jubU/?img_index=1