Vários estudiosos do declínio energético (Holmgren, Orlov, Heinberg, Foss…) preveem um cenário em que ate 2050 nós tenhamos que manter a sociedade com menos de 40% do combustível fóssil que temos disponível hoje. Isso é menos da metade do gás de cozinha, da gasolina, do diesel que usamos para a agricultura e de mais 6000 outros produtos derivados de petróleo que usamos no dia a dia!
As cidades verticais e populosas, como disse o Lutz, nosso maior ecologista, “são ecossistemas artificiais mantidos por combustíveis fósseis.” Se as previsões de declínio energético estiverem minimamente corretas, muita gente terá que sair das cidades! Os centros urbanos seguirão existindo e seus serviços básicos continuarão sendo providos, mas serão cada vez piores e custarão cada vez mais obediência sem questionamentos (e as pessoas que já são marginalizadas hoje continuarão desassistidas).
Uma transição energética eficaz depende muito mais da nossa capacidade de mudar nossa visão de mundo do que de avanços tecnológicos. Na história da humanidade toda vez que conseguimos economizar energia com um avanço da eficiência energética, essa energia foi gasta em outra área. Isso faz com que o aumento de eficiência, também aumente o consumo (Paradoxo de Jevons), mas só dá classe média para cima, claro!
As cidades pequenas e horizontais e o campo são os lugares onde podemos nos preparar para vivermos melhor a partir do fluxo de energia solar e da construção da autonomia sobre áreas essenciais do nosso viver (como água, alimentos, moradia e mobilidade). Mas isso exige planejamento e trabalho em um tempo onde a maioria só quer comodidade e gritar por direitos (sem nunca assumir seus deveres).
O livro Colapso e Êxodo Urbano reúne referências atuais e importantes que mostram que mais que uma reforma agrária para campesinos, nós precisamos de um êxodo urbano urgente se quisermos assegurar autonomia e dignidade para as pessoas comuns no colapso já em andamento.
IMAGEM: geografia.online no Instagram
FONTE: https://www.euricovianna.com.br/