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Operação hora da verdade antecipa corrida presidencial de 2026 encavalando com disputa municipal de 2024

Pesquisa realizada logo depois da operação da PF dividiu opiniões: 42% são favoráveis à prisão de Bolsonaro, 41%, contra; 46,5% acham que Bolsonaro tentou golpe.

A decisão carnavalesca do ex-presidente Bolsonaro, julgado inelegível pelo judiciário por 8 anos, de disputar a eleição presidencial de 2026, para fugir do cerco policial em que se encontra, depois da Operação Hora da Verdade, desencadeada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, muda, praticamente, o cenário eleitoral.

A disputa municipal deste ano, portanto, sofrerá o impacto da posição do ex-presidente, colocando o país, desde já, na corrida eleitoral tanto de 2024 como de 2026, encavalando-as em face de um contexto politicamente extraordinário.

Pesquisa AtlasIntel, realizada na quinta(8) e sexta(9), logo depois da operação da PF, dividiu opinião pública: 42% são favoráveis à prisão de Bolsonaro, 41%, contra; 46,5% acham que Bolsonaro tentou golpe, 36,8% discordam, enquanto 16,6% não souberam responder.

Os fatos, expostos na escandalosa reunião ministerial de 5 de julho de 2022, comandada pelo ex-presidente, demonstram tentativa insofismável de golpe de Bolsonaro, para melar eleição de 2022 e inviabilizar vitória de Lula; mas, eles servem, apenas, apenas, para intensificar polarização política entre bolsonarismo e lulismo, entre centro-esquerda x direita e ultradireita.

Não ocorreu, segundo os dados da pesquisa, derrocada política bolsonarista, como seria de imaginar, diante do número de provas reveladas pela bombástica reunião ministerial, na qual o então presidente fascista e seus principais assessores, políticos e generais, tramavam golpe contra as instituições, para destruir a democracia.

Equilíbrio de forças

Mantidas em equilíbrio as forças lulistas e bolsonaristas, a expectativa, palpável, é a de que, desde já, os dois candidatos terão que acelerar providências para conquistar eleitores, num ambiente de incerteza política, econômica e social.

No plano político, o governo tem como dado material para combater o adversário a sua condição real de vítima explícita expressa pelas ações do ex-presidente de antever sua derrota eleitoral e diante dessa percepção mobilizar seu governo para reagir, impedindo que tal acontecesse, indo ao limite da destruição da instituição democrática, para não entregar o poder.

Politicamente, ganhará peso a questão ideológica que o bolsonarismo conta para utilizar, de modo a reforçar sua pauta identitarista, com foco na religião, pátria, família e costumes conservadores, típicos de maioria direitista e ultradireitista pentecostalista que domina o Congresso nacional; ela estará na retaguarda do parlamentarismo inconstitucional, a fim de tentar inviabilizar presidencialismo de coalizão armado pelo presidente Lula, minoritário no legislativo.

Bolsonaro, pela decisão de ir às urnas, tentando criar clima para reverter sua inelegibilidade, conta com dois fatores: 1 – voto do ministro Nunes Marques, do STF, alinhado politicamente a sua candidatura, para colocá-lo, novamente, na disputa e; 2 – vitória possível do direitista Donald Trump, na disputa eleitoral americana, correligionário bolsonarista na Casa Branca como trunfo eleitoral, a ser testado em condições relativas alteradas pela presença de Lula no poder.

Economia fator decisivo

O presidente Lula, nesse cenário de antecipação da disputa eleitoral, produzido pela manifestação decisiva de Bolsonaro, como reação de quem está nas cordas, frente à possibilidade de ser preso, precisará, sobretudo, de ir bem na condução da economia, para poder rachar as forças adversárias, elevando, principalmente, investimentos públicos nos setores sociais, educação, saúde, infraestrutura etc, para elevar taxa de emprego e consumo interno.

A austeridade fiscal, imposta pelos credores, com a ajuda de conservadores majoritários no Congresso, aliados da orientação econômica neoliberal, defendida pelo Banco Central Independente, mediante taxa de juro elevada, inimiga dos investimentos, trabalha contra a pretensão lulista de acelerar obras do PAC, conferindo-lhe perfil desenvolvimentista.

Os neoliberais, que detêm maioria dos votos no neo-parlamentarismo ultraconservador, aliados da Faria Lima, jogarão duro para fazer valer seus interesses de minar o orçamento lulista; defenderão com unhas e dentes suas emendas parlamentares, com as quais farão o jogo populista com prefeitos e governadores anti-lulismo, para derrotar eleitoralmente o Planalto.

O governo, certamente, não fugirá da ambiguidade, seguida em 2023, de prometer cumprir o ajuste fiscal neoliberal, apoiado no legislativo conservador: de um lado, compromete-se com déficit zero, música para os ouvidos da Faria Lima; de outro, rompe com essa promessa, que, se cumprida, o prejudicar eleitoralmente, elevando os gastos sociais.

Prioridade social total

Em 2023, graças às negociações permitidas pela PEC da Transição do velho para o novo governo, Lula-Haddad conseguiu folga para investir 8% do PIB em programas sociais; no final do ano, em vez de registrar superavit de 0,5%, como prometido, entregou déficit de 2% do PIB, alcançando mais de R$ 230 bilhões de vermelho nas chamadas contas primárias; o que fazer em 2024?

O Planalto promete déficit zero com a expectativa de crescimento da economia de 2% do PIB, graças ao aumento esperado de arrecadação, o que é incógnita diante do cenário de austeridade fiscal imposto pela maioria neoliberal, empenhada, agora, em reverter medidas provisórias vetadas por Lula, objetivando suspender favores econômicos fiscais aos setores produtivos e financeiros em favor dos setores sociais.

Dificuldades econômicas interpostas pelos adversários neoliberais, portanto, dificultarão condução da política econômica, inviabilizando performance positiva que refletiria em votos favoráveis ao governo, quando, politicamente, a disputa eleitoral com Bolsonaro seria vantajosa ao Planalto, que assiste de camarote a derrocada bolsonarista pega no contrapé da Operação Hora da Verdade, desencadeada pelo ministro Alexandre de Moraes.

FONTE:

https://www.brasil247.com/blog/operacao-hora-da-verdade-antecipa-corrida-presidencial-de-2026-encavalando-com-disputa-municipal-de-2024-p6x1utfj