A miséria da África é um grito desesperado de quem, explorado e discriminado, pede ajuda.
Nada mais degradante, em um mundo com tantas coisas degradantes, do que os precários barcos em que africanos têm suas vidas naufragadas, tentando chegar à Europa!
Quem são esses africanos? São alguns dos milhões de africanos cujos familiares foram tirados das suas casas e trazidos, nos porões de navios negreiros, para serem escravos na América, produzindo, como escravos, riquezas para a Europa!
Simples e terrível, mas muito real. São seus descendentes que agora, miseráveis e abandonados, tentam cruzar o Mediterrâneo, da forma que seja, buscando sobrevivência em condições menos ruins. Mesmo quando conseguem chegar, são discriminados, como negros, como africanos, como miseráveis.
Me lembro de estar em um seminário na Espanha, há algum tempo, quando um barco desses virou no Mediterrâneo e todos os seus ocupantes morreram. Embora fosse um seminário de gente progressista, não causou nenhuma reação, nenhuma indignação, nenhuma manifestação.
Os imigrantes, seja de origem africana ou de outra origem, circulam pela Europa, pelos Estados Unidos ou mesmo por países da América Latina, buscando alguma forma de vida menos cruel do que a que têm nos seus países de origem. Eles não nasceram escravos. Foram escravizados, tornados escravos, fazendo com que escravos e negros se tornassem quase sinônimos.
O mundo convive tranquilamente com a opressão e a exploração brutais da África, um continente ao lado da Europa. Basta conseguir cruzar o Mediterrâneo para poderem chegar lá, onde serão tratados como raça inferior, onde serão discriminados e, às vezes, até expulsos de volta para seus países de origem.
Destino que acontece quando alguma embarcação é socorrida antes de naufragar, quando sua população é devolvida para suas condições miseráveis de vida na África. Ou quando alguns deles, por serem indocumentados, são expulsos para seus países de origem.
É um mundo “civilizado”, que produz a barbárie. Um mundo branco, loiro ou de qualquer tez. Menos negro ou da cor da pele dos muçulmanos, igualmente discriminados.
“Civilização ou barbárie”, como disse um prócer latino-americano. Ambos convivem, lado a lado, porque a tal da “civilização” produz a barbárie, que ela continua a explorar, como empregados e empregadas negras, a seu serviço.
A miséria da África é um grito desesperado de quem, explorado e discriminado, pede ajuda. Quem ouve suas vozes, se sua miséria é funcional para desempenharem funções subalternas que brancos não topariam cumprir? O que seria da “civilização” branca sem a miséria negra?
FOTO: Commander, U.S. Naval Forces Europe-Africa/U.S. 6th Fleet
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/os-imigrantes-os-novos-proletarios-mundiais-2/