Produção própria da Petrobras chega a 3,34 milhões de barris diários, com avanço do pré-sal, expansão de Búzios e maior atividade das refinarias.
247 – A produção própria da Petrobras alcançou o recorde de 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia no segundo trimestre de 2026. O volume, que reúne petróleo, líquido de gás natural e gás natural, representa crescimento de 14,1% em relação ao mesmo período de 2025, segundo balanço divulgado pela Agência Petrobras nesta terça-feira (28).
Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, a alta foi de 3,4%. O resultado foi impulsionado pela ampliação gradual da produção dos FPSOs Maria Quitéria, no campo de Jubarte; Alexandre de Gusmão, em Mero; e P-78 e P-79, em Búzios. Ganhos de eficiência operacional também contribuíram para compensar o declínio natural de campos maduros.
FPSO é a sigla em inglês para unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo. Essas plataformas recebem os fluidos extraídos dos poços, processam o óleo e o gás e armazenam a produção até o escoamento.
Entre abril e junho, a Petrobras colocou dez novos poços produtores em funcionamento: seis na Bacia de Santos e quatro na Bacia de Campos. O conjunto de novas operações e melhorias nos ativos existentes acrescentou cerca de 70 mil barris por dia à produção na comparação anual — volume equivalente à capacidade do FPSO Anna Nery, instalado no campo de Marlim.
Produção operada chega a 4,87 milhões de barris
Ao considerar também a parcela pertencente às empresas parceiras nos campos operados pela Petrobras, a produção total atingiu 4,87 milhões de barris de óleo equivalente por dia. O número superou o recorde anterior de 4,65 milhões, registrado nos três primeiros meses de 2026.
O pré-sal concentrou os principais avanços do período. A produção própria nessa região chegou a 2,78 milhões de barris de óleo equivalente por dia, ante 2,66 milhões no trimestre anterior. Já a produção total operada no pré-sal avançou de 4,01 milhões para 4,24 milhões de barris diários.
Os resultados ampliam a participação dos campos de águas profundas e ultraprofundas na produção da estatal, especialmente na Bacia de Santos, onde estão localizados ativos como Búzios, Mero, Tupi, Sépia, Atapu, Itapu, Sapinhoá e Berbigão.
Búzios supera 1,2 milhão de barris por dia
O campo de Búzios foi um dos principais vetores do desempenho trimestral. As plataformas do ativo produziram, em média, 1,1 milhão de barris de petróleo por dia em 23 de junho. Em 26 de junho, o volume subiu para 1,2 milhão de barris diários.
Búzios também encerrou junho com produção média mensal superior a 1 milhão de barris por dia pela primeira vez. A marca foi atingida 8,2 anos depois do início da operação comercial dos sistemas definitivos do campo. Em Tupi, o mesmo patamar havia sido alcançado em 8,8 anos.
O crescimento ocorreu durante a expansão das atividades das plataformas P-78 e P-79, ainda em fase de aumento gradual da produção.
O FPSO P-79 começou a operar em 1º de maio, três meses antes da data prevista no Plano de Negócios 2026–2030 e cinco meses à frente do cronograma estabelecido no planejamento anterior. A unidade é a oitava plataforma instalada em Búzios e tem capacidade para produzir 180 mil barris de petróleo por dia e comprimir 7,2 milhões de metros cúbicos de gás diariamente.
A entrada da P-79 elevará a capacidade instalada de Búzios para aproximadamente 1,33 milhão de barris por dia. A plataforma começou a injetar gás em 26 de junho, 56 dias após o início da produção — o menor intervalo já registrado entre as unidades próprias da Petrobras.
Ainda em Búzios, o FPSO Almirante Tamandaré alcançou produção média de 253 mil barris por dia em junho. A plataforma permaneceu como a unidade de maior produção de petróleo em operação no Brasil.
Mero produz cerca de 740 mil barris por dia
O campo de Mero registrou produção média próxima de 740 mil barris por dia no segundo trimestre. Os demais ativos da Petrobras na Bacia de Santos mantiveram produção estável, mesmo sem a entrada de novos sistemas desde 2022.
Campos como Tupi, Sépia, Atapu, Itapu, Sapinhoá e Berbigão produziram, em conjunto, mais de 1,5 milhão de barris por dia. Esse desempenho ajudou a sustentar o crescimento da companhia enquanto os projetos mais recentes avançavam em direção à capacidade plena.
Na Bacia de Campos, a produção de petróleo ficou em 559 mil barris por dia, o segundo maior nível desde o quarto trimestre de 2023. O resultado interrompe a tendência de retração observada em ativos mais antigos e reflete investimentos em manutenção, revitalização e otimização das operações.
Produção de derivados cresce 10,9%
O aumento da extração de petróleo foi acompanhado pela expansão do refino. A Petrobras produziu 1,918 milhão de barris de derivados por dia entre abril e junho, alta de 10,9% na comparação anual e de 5,6% diante do trimestre anterior.
O fator de utilização das refinarias atingiu 101,2%, o maior índice trimestral da história da companhia. O recorde anterior, de 101,1%, havia sido registrado no terceiro trimestre de 2014. Em abril e maio, o indicador mensal chegou a 102,5%.
A maior utilização das refinarias ampliou a oferta de combustíveis produzidos no país. As importações de derivados recuaram para 67 mil barris por dia, enquanto as compras externas de petróleo caíram para 89 mil barris diários, o menor volume desde a pandemia.
As exportações de petróleo, em sentido contrário, aproximaram-se de 1 milhão de barris por dia. O crescimento foi favorecido pela elevação da produção nos campos do pré-sal.
As vendas de derivados no mercado brasileiro permaneceram próximas ao patamar do primeiro trimestre. O avanço da comercialização de diesel e gás liquefeito de petróleo compensou a redução observada nos demais produtos.
Diesel S10 e querosene de aviação batem recordes
A produção de diesel S10 chegou ao recorde trimestral de 509 mil barris por dia no conjunto das refinarias da Petrobras. A fabricação de querosene de aviação também atingiu um novo máximo, de 109 mil barris diários.
Diesel, querosene de aviação e gasolina responderam por 68% dos derivados produzidos no período. A composição reflete a concentração da atividade em combustíveis de maior valor agregado e com demanda relevante no mercado nacional.
O petróleo do pré-sal representou 73% da carga processada pelas refinarias, quatro pontos percentuais acima do primeiro trimestre. Em abril, a empresa concluiu uma etapa do programa RefTOP que tornou suas unidades capazes de processar cargas formadas integralmente por óleos do pré-sal, quando essa alternativa for considerada economicamente mais vantajosa.
A Petrobras também comercializou 6,1 mil metros cúbicos de combustível sustentável de aviação, conhecido como SAF. Produzido por coprocessamento na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), o combustível possui 1% de conteúdo renovável e certificação internacional Corsia.
Podium tem maior venda mensal em 24 anos
A gasolina Petrobras Podium alcançou em maio o maior volume mensal de vendas desde seu lançamento, há 24 anos. Foram comercializados 12,49 milhões de litros.
No mesmo mês, os polos de Rondonópolis e Sinop, em Mato Grosso, e de Rio Verde, em Goiás, movimentaram 40,1 mil metros cúbicos de diesel e gasolina, novo recorde mensal. As estruturas atendem uma das principais regiões agrícolas do país e participam do escoamento dos combustíveis produzidos pela Refinaria de Paulínia (Replan).
O desempenho do segundo trimestre consolidou quatro recordes operacionais da Petrobras: produção própria total, produção operada total, produção própria no pré-sal e produção operada no pré-sal. Os números refletem simultaneamente a expansão dos projetos de Búzios e Mero, a recuperação de ativos maduros e o aumento do processamento nas refinarias.
FOTO: André Ribeiro/Agência Petrobras
FONTE: https://www.brasil247.com/negocios/petrobras-amplia-producao-propria-em-14-e-bate-recorde-no-2o-trimestre/?utm_source=facebook&utm_medium=jetpack_social