Gargalos no Mar Vermelho e alta da commodity pressionam juros nos EUA, mas balança comercial favorece o Brasil.
O petróleo voltou a tocar os US$ 95 e, com isso, retorna o estresse inflacionário que o mercado imaginava ter deixado para trás no primeiro semestre. A pressão se dá por dois canais simultâneos: o preço da commodity em si e o encarecimento da cadeia logística global, agravado agora pelo estrangulamento na rota do Mar Vermelho, onde o conflito com os houthis segue comprometendo a navegação. São, portanto, dois gargalos operando ao mesmo tempo sobre o fluxo de petróleo que sai do Oriente Médio.
O reflexo nos ativos americanos é imediato. O juro de dez anos nos Estados Unidos foi à máxima de 4,63%, e o dólar medido pelo DXY bateu 101, muito perto da máxima do ano. Estamos, outra vez, diante de um pico de estresse quanto aos efeitos do preço do petróleo sobre a inflação e sobre a curva de juros americana.
Praticamente todo mundo trabalhava com um cenário bem mais tranquilo para o petróleo no segundo semestre, apostando em um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O fato é que já estamos na décima noite de ataques na região, e o conflito continua pressionando a cotação para cima. O Brasil, curiosamente, está bem posicionado nesse cenário. O câmbio segue em torno de R$ 5,10, ou um pouco abaixo disso, e volta a valer aquela dinâmica de Brasil exportador de petróleo que já vimos operar no primeiro semestre, quando a balança comercial ficou exuberante justamente por conta do preço da commodity.
Nesta segunda quinzena de julho e, eventualmente, ao longo de agosto, devemos observar de novo uma balança comercial muito forte. Há espaço concreto para o superávit brasileiro voltar a romper a casa dos US$ 80 bilhões a US$ 90 bilhões no ano, puxado pelo petróleo. Claro que existe o custo inflacionário embutido nisso. Mas o governo segue administrando o repasse: mantém a taxação da exportação de petróleo e a subvenção do diesel e da gasolina, o que atenua o efeito nos preços da bomba. O resultado é uma combinação relativamente confortável — melhora da balança comercial com efeito inflacionário doméstico menos intenso do que se poderia esperar.
Ou seja, o Brasil acaba desempenhando bem em um cenário mundial de inflação em alta e petróleo pressionado. O alerta que fica é externo: o comportamento do juro americano daqui para frente, em um ambiente de inflação novamente ascendente, é a variável a ser monitorada de perto.
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FONTE: https://www.brasil247.com/blog/petroleo-a-us-95-traz-de-volta-o-estresse-inflacionario/