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Tiago Barbosa desmonta o ‘jornalismo de guerra’ e a blindagem corporativa a Flávio Bolsonaro

Barbosa comparou o momento presente ao ambiente persecutório do mensalão e da finada Operação Lava Jato.

247 — A cobertura das eleições presidenciais de 2026 expõe, de maneira crua, o retorno de métodos e práticas que marcaram os períodos mais sombrios da história recente do país. Em participação no programa Fura-Bolha, conduzido pela jornalista Laís Gouveia na TV 247 neste sábado (19), o jornalista e colunista Tiago Barbosa fez uma dissecação detalhada da postura dos grandes conglomerados da imprensa comercial, denunciando uma operação aberta de blindagem à candidatura do senador Flávio Bolsonaro em contraposição a uma ofensiva orquestrada contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a soberania do Judiciário.

Para Barbosa, o alinhamento dos barões da mídia a uma pauta ultraliberal fez com que as próprias redações desenvolvessem uma espécie de “amnésia institucional”: esqueceram o tratamento humilhante do “cercadinho” e os ataques sistemáticos promovidos pelo clã Bolsonaro contra jornalistas durante quatro anos para abraçar, de forma dissimulada, a restauração da extrema direita.

“O ódio de classe, o antipetismo e o antilulismo suplantam o próprio fazer jornalístico e a dignidade profissional. Muitos jornalistas se tornaram mais realistas do que o rei, introjetando essa agressividade e transformando qualquer factoide em munição contra o governo”, pontuou Barbosa.

A sabatina do JN e a reativação do estigma da corrupção

Um dos pontos centrais da análise de Tiago Barbosa foi o roteiro adotado pelas grandes emissoras e jornais durante as sabatinas presidenciais, em especial a do Jornal Nacional. Segundo ele, o modelo adotado não buscou debater projetos de país nem avaliar o papel de um estadista com projeção e reconhecimento internacional, mas sim forçar um tropeço para alimentar narrativas de desestabilização.

Barbosa comparou o momento presente ao ambiente persecutório do mensalão e da finada Operação Lava Jato:

  • Jornalismo de trinchera: A insistência em pautas marginais, vazamentos seletivos e acusações sem sustentação material contra familiares de Lula, com o intuito de colar a pecha de corrupção no campo progressista.
  • Critério de exclusão deliberada: O desenho das coberturas e convites a sabatinas que privilegiou múltiplas vozes da direita e da extrema direita, suprimindo forças e candidaturas populares com defesas programáticas dos serviços públicos e das estatais.

“Toda a arquitetura dessas sabatinas foi montada para extrair do presidente um tropeço e reativar na sociedade o falso estigma de que corrupção é monopólio da esquerda, enquanto se esconde a ausência completa de propostas do adversário”, sustentou o colunista.

A balança viciada: o rigor contra Lula versus o silêncio com o clã Bolsonaro

A disparidade na alocação de recursos investigativos das redações tradicionais também foi alvo de duras críticas durante o diálogo entre Tiago Barbosa e Laís Gouveia.

Enquanto grandes veículos enviaram repórteres ao exterior para esquadrinhar a rotina civil de familiares de Lula em condomínios comuns, o mesmo ecossistema midiático trata com indiferença e desdém escândalos contundentes que envolvem diretamente Flávio Bolsonaro.

Barbosa destacou as contradições incontornáveis da cobertura:

  1. O caso do banqueiro preso: O senador e candidato bolsonarista é o único personagem que admitiu abertamente, inclusive em registros de áudio, ter solicitado recursos a um banqueiro envolvido em fraudes bilionárias contra aposentados e o sistema financeiro — fato tratado com leniência e manobras editoriais para evitar manchetes de impacto.
  2. Patrimônio e mansões: A compra de uma mansão de milhões de reais em Brasília, financiada por condições atípicas e quitada em velocidade recorde, segue longe dos holofotes do chamado “jornalismo investigativo” da TV aberta.
  3. Coincidências imobiliárias: A revelação de sedes compartilhadas entre empresas ligadas ao candidato e investigados por esquemas ilícitos no INSS não mereceu equipes especiais nem reportagens de capa.

“Quando um jornal decide enviar equipe para a Europa atrás de detalhes irrelevantes da vida do filho do presidente e ignora transações financeiras suspeitas de quem disputa a Presidência da República, ele está assinando uma adesão explícita à campanha adversária”, sentenciou Barbosa.

STF no alvo: a manobra para atingir Lula por tabela

A ofensiva editorial disparada contra a Suprema Corte — com uma sequência inédita de editoriais pedindo o afastamento ou a cabeça de ministros que atuaram de forma firme na contenção da intentona golpista de 8 de janeiro — também foi dissecada no programa.

Tiago Barbosa apontou que a tentativa histérica de derrubar o ministro Alexandre de Moraes visa produzir uma manchete sob encomenda para o discurso bolsonarista: carimbar o magistrado como “o juiz de Lula” e deslegitimar as sentenças contra os executores e mandantes da tentativa de golpe de Estado.

“Esses veículos não estão preocupados com moralidade institucional. Se estivessem, estariam indignados com reuniões às vésperas de decisões judiciais e com a lentidão protelatória em processos que beneficiam a extrema direita. O objetivo nunca foi a ética, mas sim abrir caminho para o retorno do fascismo ao poder sob a chancela do mercado”, denunciou.

Indicadores econômicos reais versus a ficção das manchetes

Ao final da conversa, Laís Gouveia e Tiago Barbosa refletiram sobre como a grande imprensa fabrica um fosso intransponível entre a realidade material dos trabalhadores e a narrativa transmitida pelos telejornais.

Mesmo diante de um ciclo consistente de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), desemprego em patamares historicamente baixos, inflação controlada e retomada do poder de compra, o noticiário insiste em atribuir os resultados à “sorte” ou em classificar políticas públicas vitais — como a valorização do salário mínimo e o reajuste do Bolsa Família — como expedientes “eleitoreiros”.

“A versão fabricada do real tenta ser mais forte do que a própria realidade vivida pelo povo. A mídia apela ao irracional porque não tem projeto de país a oferecer. O que resta aos setores populares e à comunicação independente é seguir desmascarando esse plano dia após dia nas redes e nas ruas”, concluiu Tiago Barbosa.

A edição completa do programa Fura-Bolha, com a análise de Tiago Barbosa a Laís Gouveia, pode ser assistida na íntegra no canal da TV 247 no YouTube.

FOTO: Foto montagem IA

FONTE: https://www.brasil247.com/entrevistas/tiago-barbosa-desmonta-o-jornalismo-de-guerra-e-a-blindagem-corporativa-a-flavio-bolsonaro/