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TOP 300 do varejo brasileiro avança e movimenta R$ 1,3 trilhão em 2025

As maiores empresas do setor registram crescimento de 8,6% nas vendas e mostram mercado menos concentrado e mais forte regionalmente.

247 – As 300 maiores empresas do varejo brasileiro movimentaram o montante expressivo de R$ 1,3 trilhão em 2025, evidenciando a força e a resiliência do setor produtivo e do consumo nacional, informa reportagem da revista Exame. O levantamento foi produzido e divulgado pelo Instituto Retail Think Tank (IRTT), entidade que dá continuidade aos estudos históricos que eram realizados pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC).

Ao analisar a amostra de 227 empresas que apresentaram dados estatísticos comparáveis nos dois últimos anos, o estudo aponta que as vendas desse grupo registraram uma expansão de 8,6%. O resultado supera o desempenho do Varejo Restrito nacional, que teve avanço de 6,4% no mesmo período, segundo dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Do universo de 227 companhias com base comparativa, 175 redes conseguiram expandir suas vendas acima da inflação, enquanto apenas 21 registraram retração em seus faturamentos.

De acordo com Eduardo Terra, cofundador do IRTT, o desempenho do setor reflete a busca contínua por inovação e equilíbrio operacional. “As TOP 300 do varejo brasileiro entendem que é necessário realizar investimentos constantes na experiência do cliente e na adoção de tecnologias como a IA Agêntica e o Comércio Conversacional”, afirma o executivo. Terra pondera ainda que as lideranças “temperam a visão de longo prazo com a tomada de decisões que protegem o caixa em um momento desafiador”.

Concentração em queda e presença regional

Um dos destaques estruturais do levantamento é a constatação de que o varejo brasileiro permanece como um dos mercados menos concentrados do mundo. Em vez do afunilamento em poucas corporações, a fatia de mercado detida pelas líderes do setor voltou a encolher, abrindo espaço para a expansão acelerada de empresas de médio porte e posições intermediárias no ranking.

Em 2020, as cinco maiores varejistas brasileiras detinham 27,2% das vendas totais do grupo das 300 maiores, enquanto as dez primeiras respondiam por 40,4%. Em 2025, essas proporções caíram para 25,6% entre as cinco maiores e 36,4% entre as dez primeiras. Atualmente, o grupo das dez maiores empresas do setor é composto por Carrefour, Assaí, RD Saúde, Magazine Luiza, Grupo Boticário, Grupo Mateus, Casas Bahia, Natura&Co, Supermercados BH e Grupo Pão de Açúcar.

A característica marcante da atuação regional também se manteve intacta. Do total analisado, apenas 38 redes varejistas estão fisicamente presentes em todos os 27 estados da Federação, e 77 operam em mais da metade do território nacional. Para conseguir alcançar abrangência nacional, o modelo de franquias desponta como o principal caminho: mais da metade das 50 maiores varejistas com presença nacional adota essa estratégia. No ecossistema das 300 maiores, 47 redes operam por meio do franqueamento.

“Após 12 anos de acompanhamento das grandes empresas, algumas características estruturais do varejo brasileiro continuam se manifestando, principalmente o baixo grau de concentração no varejo e a atuação regional da maioria das empresas”, ressalta Alberto Serrentino, também cofundador do IRTT.

O avanço do “clube do bilhão” e a força dos supermercados

O grupo de empresas com faturamento anual superior a R$ 1 bilhão ganhou oito novas integrantes em 2025, atingindo a marca de 206 companhias — em 2024, esse número era de 198 redes, enquanto em 2020 somava 138. Juntas, essas companhias bilionárias acumulam R$ 1,26 trilhão, o que representa 94,7% de todo o faturamento do grupo das 300 maiores. Além disso, o patamar das megacorporações também se expandiu: 28 empresas já superam a marca de R$ 10 bilhões em faturamento, contra apenas cinco registradas em 2015.

A liderança absoluta entre as bilionárias pertence ao setor de Supermercados, que conta com 106 representantes no grupo. Em seguida, aparecem os segmentos de Moda, Calçados e Artigos Esportivos (22 companhias) e Drogarias e Perfumarias (19 companhias).

O estudo ressalta ainda que atingir um faturamento bilionário não exige necessariamente a manutenção de uma gigantesca rede física de lojas. Quatro empresas do clube do bilhão operam de forma 100% digital, enquanto outras 16 companhias mantêm menos de dez pontos de venda físicos em funcionamento.

Indicadores de saúde financeira e desalavancagem

A pesquisa do IRTT incluiu, pelo segundo ano consecutivo, uma análise detalhada dos indicadores de balanço e da saúde financeira das gigantes do setor. Entre as 59 empresas que divulgaram publicamente suas margens Ebitda em 2025, a rede de restaurantes Madero liderou o ranking com 28,3%, ante os 27,7% registrados em 2024.

No quesito margem líquida, a joalheria Vivara posicionou-se em primeiro lugar, alcançando o índice de 19,8%. Outras marcas que obtiveram desempenho destacado e superaram os 15% de margem líquida foram Hope, Track & Field e Drogaria Araújo.

O movimento de desalavancagem financeira manteve-se em ritmo constante entre as líderes do mercado. Entre as companhias que abriram seus indicadores, cinco apresentaram alavancagem negativa — Lojas Renner, C&A, Cobasi, Petz e Leveros —, demonstrando posição confortável de caixa. Além disso, outras 25 redes registraram endividamento inferior a duas vezes o seu Ebitda anual.

Expansão de lojas físicas e a disputa no e-commerce

Mesmo com o avanço acelerado do comércio digital, a infraestrutura de lojas físicas continuou em ritmo de expansão em todo o país. As 300 maiores varejistas somam 82.775 pontos de venda, impulsionados pela abertura de 2.474 novas unidades em 2025. O setor responde diretamente pela geração de 1,7 milhão de empregos formais.

Cinco grandes marcas se destacaram pelo ritmo acelerado de expansão orgânica, inaugurando mais de uma centena de unidades no ano:

  • RD Saúde: 330 novas lojas
  • AM PM: 181 novas lojas
  • BR Mania: 167 novas lojas
  • Grupo Boticário: 113 novas lojas
  • Chiquinho Sorvetes: 112 novas lojas

No terreno do comércio eletrônico próprio, o Magazine Luiza manteve a posição de liderança nacional ao registrar R$ 27,2 bilhões em vendas digitais diretas. A rede ficou à frente da Amazon (com estimativa de R$ 20 bilhões) e do Grupo Carrefour (R$ 15,7 bilhões). No total, 14 empresas superaram a marca de R$ 1 bilhão em vendas efetuadas em suas plataformas digitais próprias.

A digitalização mostra-se quase universal: 226 das 300 maiores companhias já possuem canal de comércio eletrônico estruturado. Os setores de Drogarias e Perfumarias e de Óticas e Joias alcançaram 100% de penetração digital entre suas redes. Na outra ponta, o segmento de Supermercados ainda apresenta espaço para expansão, com 60,5% de suas redes atuando no e-commerce.

Quando avaliadas as operações em formato de plataforma de marketplace, a liderança do mercado pertence ao Mercado Livre, que alcançou um valor bruto de mercadorias vendidas (GMV) digital estimado em R$ 185 bilhões. A lista das maiores plataformas prossegue com Shopee (R$ 70 bilhões), Magalu (R$ 44,3 bilhões), Amazon (R$ 40 bilhões), Casas Bahia (R$ 18,7 bilhões) e Carrefour (R$ 16,7 bilhões).

Participação setorial nas vendas totais

Na divisão do faturamento total do grupo das 300 maiores, os segmentos de consumo essencial mantêm o domínio do mercado brasileiro. Supermercados e hipermercados concentram 53,2% do faturamento, enquanto drogarias e perfumarias respondem por 14,9%. Combinados, os dois setores representam 68,1% de todas as vendas movimentadas pelo grupo.

Em termos de taxa de crescimento anual em 2025, o setor de Alimentação Fora do Lar (Foodservice) registrou a maior expansão setorial, subindo 16,7%. Em seguida, destacaram-se os segmentos de Óticas, Joias e Acessórios (com alta de 13,6%) e Drogarias e Perfumarias (com avanço de 13,0%). O ritmo mais modesto de expansão foi verificado no segmento de Lojas de Departamento e Artigos do Lar, que registrou crescimento de 2,0% no ano.

FOTO: Divulgação/Assaí

FONTE: https://www.brasil247.com/negocios/top-300-do-varejo-brasileiro-avanca-e-movimenta-r-13-trilhao-em-2025/