Mais de 74 mil mortos e a destruição das condições de vida em Gaza expõem a crueldade do governo sionista.
O genocídio israelense contra o povo palestino completou três anos em sua nova etapa, iniciada em outubro de 2023, com mais de 74.245 mortos e a destruição das condições elementares de vida em Gaza. Os dados publicados pelo Brasil 247, com informações de autoridades palestinas e organismos internacionais, expõem também a incapacidade da ordem internacional de proteger uma população submetida a bombardeios, deslocamentos e privação de serviços essenciais.
Por José Reinaldo Carvalho
O balanço inclui 1.462 mortes registradas pelo Ministério da Saúde de Gaza após o cessar-fogo anunciado em outubro de 2025. Esse número desmonta a ideia de que um acordo, por si só, encerra uma agressão. Quando os ataques prosseguem e a população continua sem condições de reconstruir a própria existência, a distância entre o acordo firmado e a realidade se mede em vidas perdidas e no contínuo aniquilamento.
A devastação ultrapassa a contagem dos mortos. Quase 98% das escolas foram danificadas ou destruídas. Todos os 36 hospitais sofreram danos, e apenas 19 funcionam, nenhum com capacidade plena. A destruição atingiu 92% dos estabelecimentos econômicos. Esses indicadores descrevem o desmantelamento das estruturas que permitem a uma sociedade cuidar de seus doentes, educar suas crianças e produzir seu sustento.
Acresce a isto que o exército a mando de Benjamin Netanyahu assassinou religiosos, jornalistas, médicos, enfermeiros e pessoal administrativo da saúde, funcionários da ONU, pessoal encarregado da gestão pública e políticos eleitos.
Os agressores também promoveram limpeza étnica, expulsando centenas de milhares de pessoas de sua terra natal.
E impuseram um bloqueio severo que impediu a entrada de gêneros alimentícios e medicamentos, que também é uma forma cruel de provocar morticínio. A fome como arma de guerra.
Até setembro, 94% da população necessitava urgentemente de abrigo e assistência doméstica básica. Cerca de 65% das famílias viviam em tendas ou instalações improvisadas. No início de agosto, 91% dos domicílios avaliados pela ONU enfrentavam insegurança hídrica moderada ou elevada. A sobrevivência passou a depender de encontrar água, combustível, medicamentos e algum lugar onde dormir, sob a ameaça de um novo deslocamento.
É nesse conjunto que se revela a dimensão do genocídio: a morte acompanha a destruição das possibilidades de continuar vivendo. Um paciente sem diálise, uma criança sem água segura, uma família impedida de voltar para casa enfrentam consequências que persistem mesmo quando diminui a intensidade dos bombardeios. A violência prolonga seus efeitos nos hospitais quase totalmente inoperantes, no saneamento comprometido e na fome.
A destruição da educação mostra o alcance dessa violência sobre o futuro. Até abril de 2026, cerca de 700 mil crianças e adolescentes haviam perdido quase três anos de ensino presencial; aproximadamente 200 mil crianças não tinham acesso à educação. O desemprego de 78% e o colapso da produção completam esse quadro. Impedir uma geração de estudar e retirar de suas famílias os meios de subsistência compromete a recuperação por muitos anos.
O controle territorial reforça essa perspectiva. Segundo o Observatório Euro-Mediterrâneo de Direitos Humanos, o controle militar israelense e as restrições de acesso abrangiam aproximadamente 70% de Gaza em setembro. Mais de dois milhões de palestinos estavam concentrados em menos de 30% do território. A expansão das áreas interditadas e a impossibilidade de retorno às moradias tornam o deslocamento uma ameaça duradoura à permanência palestina em sua própria terra.
É falaciosa a argumentação dos sionistas, agressores criminosos, secundados por líderes equivocados e pela mídia venal, de que a punição coletiva do povo palestino foi uma reação “legítima” a um “atentado terrorista”, discurso solerte que visa a equivaler ocupação e resistência, dois conceitos antípodas. O povo palestino tem direito à autodeterminação, à liberdade e a um Estado soberano. E a livrar-se de um intolerável bloqueio, que durou 16 anos. Reconhecer esse direito exige compreender que a paz não pode ser construída sobre a perpetuação da submissão de um povo, que já dura 7 décadas.
É plenamente justificável o direito da população palestina de defender sua libertação nacional e sua soberania. As violações perpetradas por Israel apenas asseguram a validade de sua resposta por todos os meios possíveis.
A resistência e a rebelião armada constituem a última salvaguarda de um povo para derrubar um governo ilegítimo e despótico. Essa legitimidade de reagir surge para restituir direitos consolidados que o domínio neocolonial tenta transformar em letra morta através da imposição das armas.
A responsabilidade política por todos esses crimes é do sionismo israelense, do imperialismo estadunidense e demais governos que sustentam Israel. A impunidade de governos, como o israelense e dos EUA, que praticam terrorismo de Estado, compromete a credibilidade de uma ordem que proclama direitos universais, mas falha em assegurá-los.
Três anos depois, Gaza confronta o mundo com uma exigência de justiça. Interromper a violência, garantir ajuda humanitária, viabilizar a reconstrução, assegurar o estrito cumprimento das resoluções das Nações Unidas referentes ao Estado palestino e responsabilizar os autores dos crimes são condições inseparáveis para uma paz duradoura.
FOTO: Ashraf Amra/UNRWA
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/tres-anos-de-genocidio-em-gaza/