Associação Brasileira dos Jornalistas

Seja um associado da ABJ. Há 16 anos lutando pelos jornalistas

Trump celebra “triunfos” na América Latina e indica interferência nas eleições brasileiras

Presidente dos EUA compartilha artigo que cita eleição de aliados na América Latina e aponta o Brasil como “próximo grande teste”.

247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou seu perfil na Truth Social na madrugada desta terça-feira (23) para compartilhar um artigo que celebra o avanço de aliados políticos na América Latina e aponta o Brasil como “próximo grande teste” para sua influência regional.

A análise compartilhada por Trump foi escrita por John Gizzi, do site norte-americano Newsmax, e afirma que o republicano acumulou “8 vitórias em 7 anos” na América Latina. O texto apresenta a região como um espaço de expansão da direita alinhada ao presidente dos Estados Unidos e cita o Brasil como uma das disputas centrais desse movimento.

Segundo o artigo, a Colômbia, ao eleger Abelardo de la Espriella, do Defensores de la Patria, teria se tornado a “8ª nação latino-americana em 7 anos a trocar um governo de esquerda por um de centro-direita assumidamente favorável a Trump”. A lista mencionada pelo colunista inclui também El Salvador, Argentina, Equador, Honduras, Bolívia, Chile e Peru.

No caso peruano, porém, a situação ainda não estava definida. Apesar de o segundo turno ter sido realizado em 7 de junho, Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, mantinha vantagem estreita de 40.600 votos sobre Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú, com 99,716% das urnas apuradas.

O texto do Newsmax atribui a Trump uma influência que iria além da política interna norte-americana. “Em muitos aspectos, Trump está emergindo como uma figura hemisférica moderna cuja influência se estende cada vez mais para além das fronteiras dos Estados Unidos”, afirma o artigo.

Brasil é citado como desafio eleitoral

Ao tratar do Brasil, o colunista do Newsmax afirma que “a eleição já está gerando intenso debate sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro e se a disputa será conduzida de maneira considerada livre e justa por todos os lados”. A referência coloca o processo eleitoral brasileiro no centro da estratégia política regional associada a Trump.

A formulação ocorre em um contexto no qual o presidente norte-americano tem buscado ampliar alianças com governos latino-americanos de direita e reforçar sua influência sobre disputas políticas no continente. A menção ao Brasil como “próximo grande teste” sugere que o país é visto, pelo entorno político de Trump, como peça relevante no realinhamento regional descrito pelo artigo.

Apesar do tom de comemoração, a análise reconhece que o avanço conservador na América Latina não está concluído. “Apesar do ímpeto, o ressurgimento conservador permanece incompleto”, diz o texto, ao citar Venezuela, Cuba e Nicarágua como desafios ainda abertos para a política norte-americana na região.

“Escudo das Américas” reuniu aliados de Trump

A ofensiva regional de Trump ganhou força em 7 de março, quando o presidente dos Estados Unidos promoveu a chamada “Cúpula Escudo das Américas”. Segundo a Casa Branca, o grupo de países “trabalhará em conjunto para desenvolver estratégias que impeçam a interferência estrangeira em nosso hemisfério, atuação de gangues e cartéis criminosos e narcoterroristas, além da imigração ilegal e em massa”.

O encontro reuniu apenas líderes latino-americanos alinhados à política externa de Trump. O presidente Lula (PT) não foi convidado.

Dos 12 líderes presentes, 10 foram classificados no espectro da direita. As exceções mencionadas foram Kamla Persad-Bissessar, primeira-ministra de Trinidad e Tobago, descrita como chefe de governo de esquerda, e Irfaan Ali, presidente da Guiana, apontado como de centro.

Entre os participantes estavam Javier Milei, presidente da Argentina; Rodrigo Paz, presidente da Bolívia; José Antonio Kast, presidente do Chile; Rodrigo Chaves Robles, presidente da Costa Rica; Luis Rodolfo Abinader, presidente da República Dominicana; Daniel Noboa, presidente do Equador; Nayib Bukele, presidente de El Salvador; Irfaan Ali, presidente da Guiana; Nasry “Tito” Asfura, presidente de Honduras; José Raúl Mulino Quintero, presidente do Panamá; Santiago Peña, presidente do Paraguai; e Kamla Persad-Bissessar, primeira-ministra de Trinidad e Tobago.

Alianças com Milei e Bukele reforçam atuação regional

Trump já havia demonstrado interesse em fortalecer sua articulação política na América Latina. Na Argentina, apoiou o governo de Javier Milei durante as eleições de meio de mandato, realizadas em outubro de 2025.

O republicano também formalizou um swap cambial de US$ 20 bilhões para apoiar a economia argentina. O mecanismo consiste em uma troca de moedas entre bancos centrais e é usado para reforçar reservas internacionais e estabilizar o sistema financeiro.

Outro aliado frequentemente elogiado por Trump é Nayib Bukele, presidente de El Salvador. O republicano já exaltou a forma como Bukele conduz políticas de imigração e segurança pública.

A publicação compartilhada por Trump reforça a tentativa do presidente norte-americano de projetar influência sobre o cenário político latino-americano, em meio a disputas eleitorais, mudanças de governo e alianças com lideranças conservadoras na região.

Foto: Divulgação

FONTE: https://www.brasil247.com/americalatina/trump-celebra-triunfos-na-america-latina-e-indica-interferencia-nas-eleicoes-brasileiras