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‘Acho que não é o Trump’: Lula aponta responsabilidade de Marco Rubio por ataques ao Brasil

Presidente rebate tarifas comerciais dos EUA, cobra respeito à soberania e busca diálogo direto com o líder americano.

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as recentes sanções e sobretaxas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil não partem diretamente do presidente americano Donald Trump, mas sim de setores do seu governo desafetos em relação à América Latina — em referência explícita ao secretário de Estado, Marco Rubio, informa o levantamento das declarações do chefe do Executivo durante entrevista concedida nesta sexta-feira (14) às entrevistadoras Déia Freitas, do canal Não Inviabilize, e ao podcast As Cunhãs.

Ao analisar a tensão diplomática entre as duas nações, Lula reforçou que mantém um tratamento respeitoso com o mandatário norte-americano e que confia na diplomacia direta entre os dois chefes de Estado. “Acho que não é ele [Trump, o responsável pelas tarifas]. Ele sabe que eu não gosto das pessoas que estão fazendo isso. Eu já falei para ele que o secretário de Estado dele não gosta do Brasil e não gosta da América Latina. Eu já falei para ele. Eu estive numa reunião com o Trump com quatro pessoas. Quando terminou, eu falei para o pessoal: o Trump é o melhor de todos eles, é o que conversa mais seriamente comigo. Somos dois chefes de Estado, dois homens de 80 anos. Eu quero manter uma boa relação com os Estados Unidos. Não quero nenhuma briga”, enfatizou o presidente.

Defesa da verdade e contestação das tarifas

O chefe do Palácio do Planalto rebateu com veemência os argumentos utilizados por Washington para impor tarifas ao comércio brasileiro, classificando as justificativas como inverdades. Ele ressaltou que, embora o Brasil não possua o poderio militar ou bélico das grandes potências, defenderá sua integridade com fatos. “Eu respeito todo mundo, não trato ninguém com desdém, não sou melhor do que ninguém; mas também não sou melhor do que ninguém. Eu só quero que seja igual. Eu não tenho os aviões que os Estados Unidos fazem propaganda que têm. Eles dizem que têm navio que cabe mais avião do que todos da América do Sul. Eu não tenho. Eu não tenho bomba atômica. O que eu tenho? A verdade. A minha consciência e a verdade do meu povo. Eu já disse: com mentiras, ninguém ganha do Brasil. E eu vou vencer os Estados Unidos pela narrativa”, afirmou.

Lula detalhou as acusações infundadas feitas pelo governo norte-americano sobre comércio e meio ambiente. “Eles taxaram o Brasil com base em mentira. Agora sobretaxaram o Brasil falando que nós compramos coisas de trabalho escravo de outros países — é um ataque à China, na verdade — e que não cuidamos do desmatamento. Eu fui ao Inpe na semana passada em São José dos Campos e tirei fotografia de um gráfico de que o Brasil fez o menor desmatamento da história nesses dois anos e meio. Eu tirei uma fotografia e falei: ‘vou mandar para o meu amigo Trump’”, explicou.

O presidente também desmentiu a tese de que os EUA sofrem com prejuízos na balança comercial com o mercado brasileiro. “Dizer que vai taxar o Brasil porque tem déficit comercial é mentira. Nos últimos 15 anos os americanos tiveram superávit de US$ 415 bilhões. Eu só quero seriedade”, cobrou.

Soberania nacional, embaixador e eleições

A postura firme do governo brasileiro estendeu-se ao indeferimento de pedidos de ingerência externa no sistema eleitoral do país e à concessão de credenciais diplomáticas. Lula criticou a tentativa de envio de técnicos americanos para inspecionar o processo votório nacional e justificou a negação dos vistos e o adiamento do aceite (agrément) do novo embaixador designado por Washington.

“Eles queriam mandar duas pessoas para cá para se meterem e estudarem as urnas. Nós não demos o visto para essas pessoas. Agora eles querem que eu apressadamente aceite o agrément do embaixador deles. Agora só depois das eleições. Se o embaixador dos Estados Unidos é tão importante no Brasil, por que ficaram um ano e seis meses sem mandarem embaixador para cá? Querem mandar faltando 45 dias para as eleições?”, questionou.

Lula revelou que está organizando uma conversa direta e presencial com Donald Trump para tratar dessas questões sem intermediários. “Telefonema às vezes demora. A gente quando quer ligar para um presidente demora. Às vezes demora um mês. Mas vai marcar. E espero ter uma boa conversa com ele. O Brasil quer ter uma boa relação com os Estados Unidos. São 201 anos de relações diplomáticas. A gente quer viver bem com todo mundo. Eu só quero isso. E estou tentando falar com ele. Quero ter uma conversa olho no olho com ele. E vou dizer: ‘não se meta nos negócios do Brasil, sobretudo na eleição’. E se se meterem, vão perder.”

Ao encerrar, o mandatário brasileiro repudiou a atuação de opositores internos e familiares de adversários políticos que fazem campanhas internacionais contra o próprio país, reafirmando que o governo reagiu de forma altiva com a aplicação do princípio da reciprocidade. “Esse país não abre mão — apesar dos negacionistas, dos traidores, apesar do meu adversário ter um irmão lá falando mal do Brasil, infâmias contra o Brasil — podem vir para cá quem quiser, porque vamos derrotá-los e fazer esse país ter muito orgulho da sua soberania. Lamentavelmente eles estão construindo inverdades sobre o Brasil. Ontem entramos com a Lei da Reciprocidade, para mostrar que a gente também não é pouca coisa. Nós nos respeitamos”, concluiu.

FOTO: Ricardo Stuckert/PR

FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/acho-que-nao-e-o-trump-lula-aponta-responsabilidade-de-marco-rubio-por-ataques-ao-brasil/