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Brasil pode ter superávit de quase US$ 100 bilhões em 2026, puxado por exportações de petróleo

AEB elevou em quase US$ 26 bilhões sua projeção para o saldo comercial de 2026, enquanto petróleo, soja e minério de ferro podem gerar US$ 146 bilhões em exportações.

247 – O Brasil pode encerrar 2026 com um superávit comercial de quase US$ 100 bilhões. Mais otimista, a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) revisou sua projeção para o saldo positivo da balança de US$ 68,2 bilhões para US$ 94,1 bilhões — uma elevação de US$ 25,9 bilhões em relação à estimativa anterior. O salto é impulsionado pelo crescimento das exportações, com destaque para o petróleo, que ganha peso histórico na pauta brasileira ao lado da soja e do minério de ferro. Não por acaso, o presidente Lula viaja hoje ao Amapá para celebrar novas descobertas da Petrobras na Margem Equatorial.

As informações são do jornal Valor Econômico. A nova estimativa da AEB reforça a perspectiva de que o superávit comercial brasileiro supere com folga os US$ 76,9 bilhões registrados em 2025. As projeções do mercado reunidas pelo Relatório Focus, do Banco Central, também vêm refletindo o desempenho mais forte das exportações brasileiras.

O petróleo é um dos protagonistas dessa mudança. Pela primeira vez, petróleo bruto e soja em grão podem superar individualmente US$ 50 bilhões em exportações em um mesmo ano, com o óleo disputando a liderança entre os produtos que mais geram receitas externas para o Brasil.

Somados ao minério de ferro, petróleo e soja podem alcançar aproximadamente US$ 146 bilhões em vendas externas em 2026, equivalentes a cerca de 38% de tudo o que o Brasil deverá exportar no ano.

AEB eleva projeção em quase US$ 26 bilhões

A dimensão da revisão realizada pela AEB demonstra como as perspectivas para as contas comerciais brasileiras melhoraram ao longo de 2026.

A entidade trabalhava anteriormente com um superávit de US$ 68,2 bilhões. Agora, projeta US$ 94,1 bilhões. A diferença de US$ 25,9 bilhões coloca o saldo comercial brasileiro muito perto da marca simbólica de US$ 100 bilhões.

A revisão ocorre em um contexto de expansão tanto das exportações quanto das importações, mas com vantagem significativa para as vendas externas.

Até julho, as exportações brasileiras cresceram 11%, enquanto as importações avançaram 6%. Essa diferença ajuda a ampliar o saldo positivo e mostra que o resultado não decorre simplesmente de uma retração das compras realizadas pelo Brasil no exterior.

A combinação entre maiores volumes exportados e valorização de produtos estratégicos está fortalecendo a capacidade brasileira de gerar divisas.

Petróleo pode superar US$ 50 bilhões

Um dos elementos mais importantes do desempenho de 2026 é a ascensão do petróleo na pauta exportadora.

As vendas externas de petróleo bruto podem ultrapassar US$ 50 bilhões pela primeira vez, colocando o produto em condições de disputar com a soja a posição de principal item exportado pelo país.

Trata-se de uma transformação estrutural relevante para a economia brasileira.

O avanço da produção em águas profundas e ultraprofundas consolidou o Brasil como um importante produtor e exportador mundial de petróleo. A experiência tecnológica acumulada pela Petrobras teve papel central nesse processo, especialmente no desenvolvimento das reservas do pré-sal.

A crescente geração de receitas externas pelo setor demonstra também o peso econômico adquirido pela indústria petrolífera brasileira.

Com a abertura de novas perspectivas de exploração, incluindo a Margem Equatorial, o petróleo poderá assumir importância ainda maior na balança comercial nos próximos anos.

Guerra no Oriente Médio eleva cotações

Além do aumento da produção brasileira, o cenário internacional contribui para ampliar as receitas.

A guerra no Oriente Médio pressionou as cotações internacionais do petróleo, aumentando o valor das exportações dos países produtores.

Para o Brasil, que se consolidou como exportador líquido relevante da commodity, a valorização internacional tem impacto direto sobre a entrada de dólares por meio do comércio exterior.

Quanto maior o preço médio do barril exportado, maior tende a ser a receita obtida pelo país, mesmo sem crescimento proporcional dos volumes embarcados.

Esse fator contribui para explicar a forte revisão promovida pela AEB e as projeções mais favoráveis para o resultado da balança comercial brasileira em 2026.

Soja caminha para novo recorde

O agronegócio continua sendo outro pilar fundamental das contas externas.

A soja em grão também poderá superar US$ 50 bilhões em exportações pela primeira vez, beneficiada pela perspectiva de volume recorde vendido ao exterior.

Caso as projeções se confirmem, soja e petróleo protagonizarão uma disputa inédita pela liderança da pauta brasileira.

O desempenho agrícola reforça a posição do Brasil como um dos maiores produtores e fornecedores mundiais de alimentos.

Somados, petróleo, soja e minério de ferro podem atingir US$ 146 bilhões em vendas externas neste ano. Os três produtos responderiam por aproximadamente 38% de todas as exportações brasileiras.

A concentração mostra a enorme competitividade do país nesses setores, embora também revele a importância de avançar na agregação de valor e na diversificação da pauta exportadora.

China ganha ainda mais importância

A China permanece como peça central na expansão das exportações brasileiras.

O mercado chinês é um dos principais destinos da soja, do minério de ferro e do petróleo produzidos no Brasil. Dessa forma, o crescimento das vendas dessas três commodities reforça ainda mais a importância da relação econômica entre Brasília e Pequim.

Ao longo dos últimos anos, a China consolidou-se como principal parceiro comercial brasileiro e como destino fundamental para setores estratégicos da economia nacional.

O desempenho de 2026 indica que essa relação continuará tendo peso decisivo na formação do superávit comercial.

A capacidade de absorção do mercado chinês também contribui para reduzir os impactos de mudanças nas relações comerciais do Brasil com outras grandes economias.

Estados Unidos perdem participação

Enquanto a China amplia sua importância, os Estados Unidos vêm perdendo participação relativa nas exportações brasileiras.

Segundo o Valor, a política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contribuiu para essa redução de espaço na balança comercial brasileira.

A tendência é de continuidade desse movimento, sem que até agora haja impacto significativo sobre o resultado agregado das contas comerciais do Brasil.

O crescimento das exportações totais em 11% até julho mostra que o país tem conseguido ampliar suas vendas ao exterior apesar das barreiras encontradas no mercado norte-americano.

A diversificação dos destinos das exportações torna-se, nesse contexto, um elemento importante de proteção para a economia brasileira diante do aumento das tensões comerciais internacionais.

El Niño preocupa para 2027

Um dos pontos de atenção para o agronegócio é a possibilidade de efeitos do El Niño.

O fenômeno climático preocupa produtores e economistas porque pode alterar os regimes de chuvas e temperaturas em regiões agrícolas importantes.

A avaliação apresentada, entretanto, é que seus impactos mais significativos deverão aparecer na safra de 2027.

Para 2026, a perspectiva continua sendo de desempenho positivo da soja, com possibilidade de recorde no volume exportado.

O comportamento do clima será acompanhado de perto porque alterações relevantes na produção agrícola podem repercutir tanto nas receitas de exportação quanto nos preços dos alimentos no mercado interno.

Petróleo transforma a balança brasileira

O crescimento das exportações petrolíferas é particularmente significativo porque revela uma mudança ocorrida ao longo das últimas décadas na posição energética do Brasil.

O país desenvolveu capacidade tecnológica para explorar algumas das reservas offshore mais complexas do planeta e passou a produzir volumes crescentes de petróleo.

A Petrobras foi decisiva nesse processo.

A tecnologia desenvolvida pela estatal em águas profundas e ultraprofundas permitiu transformar reservas antes consideradas de difícil exploração em ativos estratégicos para o país.

O pré-sal consolidou essa transformação e elevou significativamente a produção nacional.

Agora, com a possibilidade de o petróleo bruto ultrapassar US$ 50 bilhões em exportações em 2026, essa trajetória começa a aparecer com força ainda maior nas contas externas.

O avanço ocorre justamente quando o governo Lula volta a colocar a Petrobras no centro de uma estratégia que combina soberania energética, expansão dos investimentos e desenvolvimento industrial.

Saldo comercial fortalece contas externas

Um superávit de US$ 94,1 bilhões, caso a projeção da AEB se confirme, representará uma poderosa fonte de divisas para a economia brasileira.

A entrada de dólares obtida por meio das exportações ajuda a fortalecer as contas externas e reduz a vulnerabilidade do país diante de períodos de instabilidade financeira internacional.

O resultado também ganha relevância porque ocorre com as importações crescendo 6% até julho.

Ou seja, o país amplia as compras externas, mas consegue aumentar suas exportações em ritmo ainda maior, de 11%.

A diferença sustenta a formação de um saldo comercial elevado e reforça a perspectiva de que 2026 termine entre os anos de melhor desempenho da história da balança brasileira.

A revisão feita pela AEB sintetiza essa mudança de cenário: de uma previsão inicial de US$ 68,2 bilhões para US$ 94,1 bilhões, quase US$ 26 bilhões adicionais de superávit.

Se petróleo e soja confirmarem receitas superiores a US$ 50 bilhões cada e o minério de ferro mantiver seu peso nas vendas externas, o Brasil poderá fechar 2026 com superávit muito próximo de US$ 100 bilhões, tendo o petróleo como um dos principais motores desse resultado histórico.

FOTO: Ricardo Stuckert / PR

FONTE: https://www.brasil247.com/economia/brasil-pode-ter-superavit-de-quase-us-100-bilhoes-em-2026-puxado-por-exportacoes-de-petroleo/