Exportações chinesas avançam 14%, importações crescem 22% e produtos de alta tecnologia e energia verde ganham espaço apesar da ofensiva comercial dos Estados Unidos.
247 – A China atravessa a guerra comercial impulsionada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com forte expansão de seu comércio exterior. Nos primeiros sete meses de 2026, as trocas comerciais chinesas cresceram 17,3% e alcançaram 30,13 trilhões de yuans, sustentadas pelo avanço simultâneo das exportações e, em ritmo ainda maior, das importações.
Os dados foram divulgados pelo Global Times e apontam para uma expansão das relações econômicas da China com o restante do mundo, acompanhada por uma mudança qualitativa na pauta exportadora. Produtos de alta tecnologia, veículos elétricos, baterias de lítio, turbinas eólicas e outras tecnologias de baixo carbono estão assumindo importância crescente nas vendas chinesas ao exterior.
Comércio exterior alcança 30 trilhões de yuans
Entre janeiro e julho, as exportações chinesas somaram 17,44 trilhões de yuans, crescimento de 14%. As importações, por sua vez, atingiram 12,69 trilhões de yuans, expansão de 22%.
O fato de as compras externas terem crescido mais rapidamente do que as exportações mostra uma ampliação da demanda chinesa por produtos estrangeiros e contribui para uma relação comercial mais equilibrada com outros países.
Os números também indicam que a disputa comercial com Washington não impediu a China de ampliar suas relações econômicas internacionais.
Nos primeiros sete meses do ano, o país manteve relações comerciais com mais de 180 países, ampliando sua integração com diferentes mercados e reduzindo a dependência de parceiros específicos.
Comércio com os Estados Unidos recua
Em contraste com a expansão global do comércio exterior chinês, as trocas entre China e Estados Unidos diminuíram 1,6% no período.
O resultado ocorre em meio às tensões comerciais entre as duas maiores economias do planeta e às medidas protecionistas adotadas pelo governo Trump.
Ao mesmo tempo, outros mercados continuaram ganhando importância para Pequim. A Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) e a União Europeia permaneceram entre os principais parceiros comerciais chineses.
Essa diversificação ajuda a explicar por que a redução das trocas com os Estados Unidos não impediu o crescimento expressivo do comércio exterior total da China.
Os números indicam, portanto, que a capacidade de Washington de utilizar seu mercado como instrumento de pressão econômica encontra limites diante da extensa rede comercial construída pela China.
Alta tecnologia ganha protagonismo
A transformação mais significativa aparece na composição das exportações chinesas.
Em julho, as exportações de produtos de alta tecnologia cresceram mais de 50% e responderam por quase 60% do aumento mensal das vendas externas.
O resultado reforça uma mudança estrutural na economia chinesa, que busca combinar sua tradicional capacidade industrial com investimentos em pesquisa, desenvolvimento científico, inteligência artificial, automação, eletrificação e tecnologias relacionadas à transição energética.
A integração entre ciência, tecnologia e produção industrial tornou-se uma das principais estratégias chinesas para construir novas vantagens competitivas.
O país procura deixar de ser identificado apenas como uma plataforma mundial de manufatura e ampliar sua presença nas etapas tecnologicamente mais sofisticadas das cadeias globais de valor.
Veículos elétricos, baterias e turbinas avançam
A indústria verde tornou-se outro componente central dessa transformação.
As exportações de veículos elétricos, baterias de lítio e outros produtos ligados à economia de baixo carbono registraram crescimento de dois dígitos pelo 17º mês consecutivo.
As turbinas eólicas também aparecem entre os produtos que refletem a expansão internacional das tecnologias chinesas relacionadas à transição energética.
Esse desempenho demonstra como a política industrial chinesa está produzindo efeitos sobre a pauta comercial do país.
Em vez de depender exclusivamente de produtos industriais tradicionais, a China amplia sua participação em setores considerados estratégicos para as próximas décadas.
Veículos elétricos, armazenamento de energia, equipamentos renováveis e outras tecnologias verdes estão no centro da disputa pela liderança industrial mundial.
Inovação se transforma em vantagem comercial
A expansão das exportações de alta tecnologia está diretamente relacionada ao fortalecimento da capacidade chinesa de inovação.
A integração entre universidades, centros de pesquisa, empresas e cadeias industriais permitiu acelerar a transformação de avanços científicos em produtos comercialmente competitivos.
Essa capacidade vem sendo utilizada para construir vantagens em setores de alto valor agregado e aumentar a produtividade da economia.
O crescimento superior a 50% das exportações de alta tecnologia em julho oferece uma dimensão desse processo.
Ao representar quase 60% do crescimento mensal das exportações, esses produtos mostram que a expansão comercial chinesa está cada vez mais vinculada à inovação tecnológica.
Importações crescem 22%
Outro dado relevante é o avanço das importações.
Enquanto as exportações cresceram 14% nos primeiros sete meses do ano, as compras externas aumentaram 22%, chegando a 12,69 trilhões de yuans.
Entre os destaques estão commodities, minerais e produtos eletromecânicos.
As importações chinesas de produtos eletromecânicos avançaram 29,7%, refletindo a demanda interna por equipamentos, componentes e bens associados à atividade industrial.
O aumento das importações também contrasta com a percepção de que o crescimento chinês depende exclusivamente das vendas ao exterior.
Com as compras internacionais avançando mais rapidamente do que as exportações, o mercado chinês amplia sua importância como destino para empresas e produtores de outros países.
China amplia política de abertura
Pequim também vem utilizando medidas de abertura comercial para ampliar sua integração econômica.
A China aplica políticas de tarifa zero para 63 países e mantém sua posição como a segunda maior economia importadora do mundo.
A estratégia busca facilitar a entrada de produtos estrangeiros no mercado chinês ao mesmo tempo em que o país amplia sua presença comercial em diferentes regiões.
O crescimento das importações acima das exportações nos primeiros sete meses de 2026 reforça essa tendência.
Em um cenário internacional marcado pela retomada de políticas protecionistas e pela intensificação das disputas comerciais, os dados divulgados pelo Global Times mostram uma China que amplia suas trocas globais, diversifica parceiros e aumenta o peso da inovação e das tecnologias verdes em suas exportações.
A queda de 1,6% do comércio com os Estados Unidos, simultânea ao crescimento de 17,3% das trocas comerciais totais chinesas, evidencia sobretudo a capacidade de Pequim de compensar dificuldades no mercado norte-americano por meio de uma rede comercial global cada vez mais diversificada.
FOTO: Xinhua
FONTE: https://www.brasil247.com/global-times/china-tambem-derrota-trump-e-vence-guerra-comercial-com-avanco-de-173-no-comercio-exterior/