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Fim da contenção russa e a Rota da Seda Polar: Glenn Diesen analisa o novo aviso de Putin ao Ocidente

Cientista político norueguês avalia que Moscou abandonou a postura de tolerar a escalada da Otan, alerta para o risco de conflito direto no Ártico e destaca a consolidação da hidrovia polar com a China.

247 – A recente mensagem pública de Vladimir Putin, fardado e diante de tropas russas, marcou uma virada estratégica na postura de segurança de Moscou frente ao avanço da Otan. A avaliação foi detalhada pelo professor de Relações Internacionais Glenn Diesen em entrevista ao canal Judging Freedom, conduzida pelo jurista norte-americano Andrew Napolitano.

Segundo Diesen, a postura histórica da Rússia de evitar confrontos diretos com a aliança militar ocidental — concentrando suas forças estritamente na Ucrânia — acabou por erodir sua capacidade de dissuasão convencional. Esse vácuo permitiu que capitais ocidentais cruzassem sucessivas “linhas vermelhas”. Agora, no entanto, o Kremlin sinaliza uma resposta simétrica e firme tanto na frente militar quanto nas disputas logísticas globais, com foco no Ártico e na Rota Marítima do Norte.

A restauração da dissuasão russa

Diesen destacou que, ao longo dos últimos anos de conflito, a Otan expandiu gradualmente o alcance e a letalidade dos armamentos fornecidos a Kiev, além de apoiar ataques em profundidade dentro do território russo. Moscou, para evitar uma conflagração aberta com o bloco ocidental, optou reiteradas vezes por não responder diretamente à aliança.

“O custo dessa contenção foi a perda da dissuasão russa. Criou-se nos Estados Unidos e na Europa a percepção de que a Rússia não defende suas linhas vermelhas e nunca ousará responder à Otan. É por isso que líderes europeus passaram a discutir abertamente ataques profundos em território russo, algo impensável no passado”, apontou Diesen.

Para o analista, o pronunciamento de Putin evidencia que a fase de contenção unilateral russa chegou ao fim. O restabelecimento da capacidade dissuasória passa a ser a prioridade operacional de Moscou, inclusive contra ações recentes da União Europeia, como a retenção de embarcações comerciais russas sob a alegação de comporem uma “frota fantasma”. Diesen enfatizou que o governo russo já prevê medidas de reciprocidade no mar contra navios europeus.

O Ártico e a Rota da Seda Polar: a nova fronteira estratégica

Além do teatro europeu, a entrevista chamou atenção para a crescente tensão geopolítica no Ártico. A Rota Marítima do Norte surge como o principal corredor alternativo de navegação mundial, conectando a Ásia à Europa por um trajeto consideravelmente mais curto e econômico que o Canal de Suez.

Por percorrer águas sob jurisdição territorial e de resgate da Federação Russa, o corredor escapa ao controle de patrulha e estrangulamento da hegemonia naval dos Estados Unidos.

  • Desafio à hegemonia marítima: A via polar funciona como uma rota estratégica fora do alcance direto das frotas ocidentais, desafiando a tradicional prerrogativa de Washington de policiar as rotas marítimas globais.
  • Integração com o Sul Global: A Rússia direcionou a infraestrutura e o tráfego do Ártico para seus parceiros estratégicos no Oriente, com destaque para a China e a Índia.
  • A Rota da Seda Polar: Pequim integrou formalmente o corredor marítimo russo à iniciativa Cinturão e Rota (Belt and Road), acelerando a integração eurasiana e a blindagem contra eventuais sanções e bloqueios ocidentais.

De acordo com Diesen, a postura hostil demonstrada por Washington em relação à navegação no Ártico reflete a perda de controle sobre os nós logísticos centrais do comércio internacional. Com o colapso gradual das tentativas ocidentais de isolar Moscou e o estreitamento dos eixos sino-russos, a região ártica consolida-se como um dos pontos nevrálgicos do rearranjo geopolítico e da transição para uma ordem multipolar.

Foto: Alexander Shcherbak/TASS

FONTE: https://www.brasil247.com/ideias/fim-da-contencao-russa-e-a-rota-da-seda-polar-glenn-diesen-analisa-o-novo-aviso-de-putin-ao-ocidente/