Bloqueio em Hormuz e guerra ampliam pressão sobre energia mundial.
247 – A guerra no Irã contra Estados Unidos e Israel desencadeou o que pode ser a maior crise energética já registrada, segundo avaliação da Agência Internacional de Energia (AIE). O cenário envolve impactos simultâneos no petróleo e no gás, agravados por interrupções estratégicas no fornecimento global e pelo bloqueio de rotas essenciais no Oriente Médio.
A avaliação foi apresentada pelo diretor da AIE, Fatih Birol, em entrevista à rádio France Inter, transmitida nesta terça-feira (21), conforme noticiado pela Folha de S.Paulo. Ele classificou a situação atual como inédita em termos de gravidade e alcance no sistema energético mundial.
Crise sem precedentes
Durante a entrevista, Birol foi direto ao descrever a dimensão do problema. “Esta é de fato a maior crise da história”, afirmou. Ele destacou que o impacto já supera eventos anteriores quando se consideram as disrupções simultâneas no mercado global de energia. “A crise já é enorme, se você considerar os efeitos da crise do petróleo e da crise do gás da Rússia”, acrescentou.
O dirigente já havia alertado no início de abril que a situação atual poderia ser mais grave do que a combinação das crises energéticas de 1973, 1979 e 2022, episódios historicamente associados a choques severos no abastecimento e nos preços.
Gargalo estratégico no estreito de Hormuz
Um dos principais fatores para a escalada da crise é a paralisação do tráfego marítimo no estreito de Hormuz. A região é considerada um dos pontos mais críticos do comércio global de energia, por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural liquefeito transportado no mundo.
A interrupção dessa rota compromete diretamente o fluxo de energia entre produtores do Oriente Médio e consumidores na Europa, Ásia e outras regiões, ampliando os efeitos da guerra para além do conflito regional.
Efeito acumulado com guerra na Ucrânia
A atual crise também se soma às consequências da guerra entre Rússia e Ucrânia, que já havia reduzido significativamente o fornecimento de gás russo para a Europa. Esse cenário pré-existente aumenta a vulnerabilidade do sistema energético global diante de novos choques.
A combinação de conflitos simultâneos pressiona os mercados internacionais, eleva preços e dificulta a recomposição dos estoques energéticos em diversas economias.
Medidas emergenciais
Em resposta à escalada dos preços do petróleo, a AIE decidiu em março liberar um volume recorde de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas. A medida busca conter a volatilidade e garantir algum nível de estabilidade no abastecimento global.
Apesar da ação, especialistas da agência indicam que os efeitos da crise podem ser prolongados, dependendo da evolução do conflito e da retomada das rotas comerciais no Oriente Médio.
A avaliação da AIE reforça a gravidade do momento e aponta para um cenário de forte pressão sobre o sistema energético mundial, com impactos diretos na economia global e no custo da energia.
FOTO: U.S. Navy photo by Mass Communication Specialist 2nd Class Jackson Adkins
FONTE: https://www.brasil247.com/mundo/guerra-no-ira-provoca-maior-crise-energetica-da-historia-alerta-agencia-internacional-de-energia