Tensão diplomática no Oriente Médio contrasta com recuo de Trump e gera forte queda no preço do barril de petróleo.
247 – O Ministério das Relações Exteriores do Irã desmentiu categoricamente a existência de qualquer negociação direta em andamento com o governo dos Estados Unidos, contrariando declarações feitas pelo presidente norte-americano, Donald Trump. A posição oficial de Teerã foi apresentada nesta segunda-feira (3), logo após a Casa Branca indicar que uma nova rodada de tratativas com o país persa estaria prestes a começar depois do recuo norte-americano em disparar uma nova ofensiva militar na região. A volatilidade dos sinais diplomáticos repercutiu imediatamente no mercado internacional, provocando uma queda de cerca de 5% no preço do barril de petróleo entre o domingo (2) e esta segunda, informam agências internacionais.
A negação iraniana foi detalhada publicamente durante uma coletiva de imprensa semanal concedida pelo porta-voz da chancelaria de Teerã, Esmaeil Baghaei. Ao ser questionado sobre o andamento dos contatos com Washington, o diplomata restringiu o foco das conversações diplomáticas atuais ao plano regional. “Atualmente não estamos negociando com os Estados Unidos. Nossas negociações são com Omã para garantir a passagem pelo Estreito de Ormuz”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.
Controle de Ormuz e negociações mediadas
A gestão da navegação pelo Estreito de Ormuz — rota marítima considerada estratégica e crucial para o fornecimento global de petróleo e gás — é mantida sob controle do Irã desde o início do conflito no Oriente Médio, deflagrado em 28 de fevereiro. Para liberar o tráfego de navios petroleiros e cargueiros, o governo iraniano exige que as embarcações utilizem rotas específicas designadas por Teerã, façam uma solicitação formal de permissão e efetuem o pagamento de taxas de serviço estipuladas pelo país.
Neste cenário, Baghaei classificou as discussões intermediadas pelo Sultanato de Omã como “construtivas”, ressaltando que o objetivo central do diálogo é estabelecer um consenso sobre a nova rota marítima proposta. “Esperamos que tanto os atores regionais como os extra-regionais reconheçam esta medida responsável do Irã e adotem uma postura construtiva”, acrescentou o porta-voz, reiterando que a política adotada na via marítima não sofrerá alterações de forma unilateral. Segundo ele, enquanto o bloqueio naval mantido pelos Estados Unidos contra os portos iranianos não for suspenso, “a situação no Estreito de Ormuz continuará inalterada”.
Contradições e o recuo militar de Washington
A postura firme exibida pela chancelaria em Teerã diverge do discurso adotado por Donald Trump no domingo. Em conversa com jornalistas, o presidente dos EUA declarou que negociações diretas com o Irã seriam iniciadas na tarde desta segunda-feira para abordar tanto o tráfego no Estreito de Ormuz quanto o programa de desnuclearização iraniano.
Na mesma ocasião, o republicano afirmou ter cancelado uma nova onda de bombardeios contra o território iraniano — ação que ele próprio descreveu como a de maior escala “desde a Segunda Guerra Mundial”. Trump justificou a suspensão dos ataques citando apelos diretos que teriam sido feitos por governos do Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e pelo próprio governo iraniano. Contudo, a mídia estatal do Irã negou veementemente que Teerã tenha solicitado o cancelamento das incursões militares americanas.
Canais indiretos e troca de pontos de vista
Apesar do rechaço oficial a reuniões diretas com a Casa Branca, autoridades políticas em Teerã confirmaram a movimentação de canais de intermediação. O parlamentar Hassan Qashqavi, que atua como porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, explicou que atores internacionais buscam reativar os termos do memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã em junho.
Embora o instrumento não tenha sido estruturado como um tratado de paz definitivo, o memorando servia como uma etapa preliminar para negociações mais amplas e já continha diretrizes focadas na segurança de navegação em Ormuz. “Eles sabem que a principal questão, e de fato a questão crucial neste momento, é o Estreito de Ormuz, então sim, há uma troca de opiniões”, declarou Qashqavi no domingo.
Reforçando a necessidade do cumprimento dos acordos prévios, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, manifestou-se por meio de uma publicação na rede social X. De acordo com o mandatário, a diplomacia iraniana deve agir com determinação para “forçar o inimigo a manter o compromisso com o que assinou”.
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FONTE: https://www.brasil247.com/mundo/ira-desmente-trump-e-nega-negociacoes-com-os-eua/