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O dia ‘D’ de Lula no Jornal Nacional: tom adotado dará o rumo da campanha

Em sabatina de 40 minutos na Globo, presidente terá chance de exaltar realizações do governo, dialogar com indecisos e desconstruir adversário bolsonarista; tema Lulinha pode ser superado com ênfase em apoio a investigação “doa a quem doer”.

Na véspera do início do horário eleitoral de rádio e televisão, o presidente Lula tem uma ótima oportunidade para ganhar impulsão e diferenciar-se ainda mais dos adversários. Ele vai ocupar 40 minutos, imediatamente após o encerramento do noticiário do Jornal Nacional, da Rede Globo, em sabatina conduzida nesta quinta-feira (27) pelos âncoras César Tralli e Renata Vasconcellos. A postura do candidato à reeleição durante a entrevista vai dar pistas seguras sobre os rumos que ele pretende adotar na busca pelo voto até o dia 4 de outubro.

Lula pode escolher entre buscar um tom otimista apoiado nas realizações de seu governo, que incluem o menor índice de desemprego da história recente do país, inflação baixa e um crescimento econômico contínuo durante toda a gestão, ou se ocupar mais em atacar o principal adversário, Flávio Bolsonaro, agitar a militância do PT, que de fato está mobilizada para a eleição, e instalar de uma vez a disputa como sendo entre os campos da esquerda e da direita, o que seria um erro.

Lula não precisa buscar o rumo da radicalização. Ele está sendo o presidente de todos os brasileiros, e não apenas dos brasileiros de esquerda, quando pode exibir uma taxa de desemprego que, em julho, recuou para 5,3% e levou ao recorde de 103,3 milhões de pessoas ocupadas no país. Nunca se viu tal resultado para qualquer política econômica já praticada entre nós. O desenvolvimento econômico com crescimento das oportunidades é a grande marca do governo Lula. Divulgar, repetir e insistir nessa realização não tem contraindicações para o candidato à reeleição. Ao contrário, é o seu grande trunfo.

No andamento da sabatina, quando for questionado sobre o aumento no endividamento das famílias — certamente um dos assuntos do encontro —, Lula tem tudo para se sair bem. O governo federal tem sido pródigo em programas de renegociação de dívidas que têm atraído milhões de pessoas. Essa adesão já se refletiu em avanços na avaliação do governo, o que é fundamental para aumentar as chances de vitória do candidato. Será uma bola quicando em frente ao gol.

As relações entre o Brasil e os Estados Unidos, igualmente nas manchetes da mídia, são mais um tema sobre o qual Lula poderá pontificar. Ele empunhou a bandeira da soberania, jamais deixou de falar de igual para igual com o presidente americano Donald Trump e, nos últimos dias, colheu, a partir desta postura, uma importante vitória. As negociações em torno do tarifaço aplicado pelos EUA contra o Brasil foram reabertas após um longo e cordial telefonema entre ele e Trump. Na direção oposta ao entreguismo professado por Flávio Bolsonaro, a defesa do interesse nacional tem tudo para gerar benefícios eleitorais ao presidente brasileiro.

É de se esperar, pelo histórico das sabatinas já realizadas até aqui com os candidatos Romeu Zema, Renan Santos e Ronaldo Caiado, uma primeira pergunta espinhosa. A expectativa é a de que o tema seja Fábio Luís Lula da Silva, investigado pela Polícia Federal, sob a supervisão direta do ministro André Mendonça, do STF, por suspeita de tráfico de influência. O presidente tem manifestado que não irá interferir no andamento da apuração que envolve seu filho mais velho. Por mais de uma vez, declarou que o importante é que a verdade seja apurada e, se houver crime, que haja punição aos envolvidos. Quanto mais Lula marcar essa posição, mais estará demonstrando a postura correta e adequada ao caso. Diante da falta de provas registrada até aqui, a repercussão projetada pela abordagem do assunto no JN pode levar à superação dos desgastes com o caso.

Mesmo liderando as pesquisas eleitorais, Lula tem pela frente a missão de conquistar os votos do grande contingente de eleitores indecisos quanto à escolha de um candidato presidencial ou indiferentes à própria eleição. Óbvia, a tarefa não é tão simples. Este público, que deve definir o pleito, segundo diferentes análises, tem aversão a motes que apaixonam a esquerda, como o da reforma agrária e o da maior cobrança fiscal sobre “os mais ricos”. Assustam e sempre são usados contra o PT em toda e qualquer eleição. Espera-se que Lula aproveite a sabatina do Jornal Nacional mais para falar para fora do que para dentro do partido.

FOTO: Ricardo Stuckert

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/o-dia-d-de-lula-no-jornal-nacional-tom-adotado-dara-o-rumo-da-campanha/