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Produção industrial surpreende e reforça vigor da economia brasileira

O quadro geral, contudo, é de uma economia mais aquecida do que se antecipava no início de 2026 — a despeito dos juros elevados e dos choques externos.

A produção industrial brasileira registrou alta de 0,7% em abril em relação a março, mais uma surpresa positiva que reforça o bom momento da economia. Na comparação com abril de 2025, o crescimento chega a 2,7%, mostrando o vigor do setor industrial contra todos os prognósticos. O dado vem em linha com o desempenho do PIB do primeiro trimestre de 2026, que avançou 1,1%, confirmando uma trajetória de aceleração que poucos esperavam no início do ano.

O cenário é de estímulos ainda operando com força. As transferências de renda, o Bolsa Família, BPC, etc e a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000 sustentam a demanda agregada e mantêm o consumo das famílias aquecido — como ficou evidente nos dados do PIB do primeiro trimestre. Quem ainda aposta em recessão no Brasil precisa revisitar os números.

No front externo, a ameaça tarifária americana segue no radar. Com possíveis alíquotas na faixa de 25% o impacto é real, mas já está sendo parcialmente amortecido: cerca de 55% dos produtos brasileiros estão isentos, e a lista de isenções já se aproxima de 1000 itens. Ainda assim, o dado estrutural mais relevante é a recomposição do destino das exportações brasileiras. Em 2024, os Estados Unidos respondiam por 12% das exportações; em 2025, esse percentual caiu para 10,8%. A China, por outro lado, já absorve mais de 30% do total — algo como 100 bilhões de dólares por ano, contra menos de 40 bilhões destinados ao mercado americano.

O problema é qualitativo. O que vai para os Estados Unidos são produtos de maior complexidade — autopeças, aviões, metais manufaturados, bens industriais de maior valor agregado. O que vai para a China é, em grande parte, commodities: minério de ferro, petróleo, soja. Por isso, as tarifas americanas machucam de forma desproporcional o setor industrial avançado, com impacto concentrado nos estados mais industrializados: São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Na produção de petróleo, um marco: um único poço da Petrobras atingiu quase 1 milhão de barris dia de produção, com o Brasil se aproximando de 4 milhões de barris diários. O superávit comercial também acelera, puxado pelo petróleo. As negociações tarifárias com Washington devem se estender até julho, e o desfecho ainda é incerto.

O quadro geral, contudo, é de uma economia mais aquecida do que se antecipava no início de 2026 — a despeito dos juros elevados e dos choques externos. A próxima variável a observar são os dados do mercado de trabalho americano e, em seguida, a reação do Banco Central brasileiro diante de uma atividade doméstica que surpreende para cima.

Foto: Freepik

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/producao-industrial-surpreende-e-reforca-vigor-da-economia-brasileira